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A CAMINHO DO TEU NOME (excerto)

A CAMINHO DO TEU NOME (excerto)

Enquanto caminhava pelo passeio, fui surpreendido por um gato. Já era adulto e tinha um pelo muito bonito tricolor em tons de amarelo, preto e cinza. Calculei que na minha passada seguinte, como qualquer gato de rua, ele desatasse a correr para longe. Porém, ao invés, ele aproximou-se mim.

Fingi que não o vi e prossegui o meu caminho. E ele gatinhou a meu lado, como se dissesse "espera aí, quero ir contigo". Notei que não deveria ser um gato de rua. Parecia bem tratado, apesar de magro. E o facto de se aproximar e quase pedir afecto, levou-me a crer que talvez tivesse sido abandonado por uma qualquer besta sem coração.

— Vai-te lá embora. Não tenho nada para ti. — disse-lhe ao alcançar a porta do meu prédio.

O gato ficou a olhar-me como se esperasse algo de mim.

Eu abri a porta e entrei, tendo o cuidado de não o deixar entrar para a escada. Fechei a porta de vidro e virei costas. Contudo, antes de alcançar o primeiro degrau, voltei a olhar para a porta. O gato sentara-se e ficara a olhar para mim. Tentei subir os degraus... mas não consegui.

Voltei atrás e abri a porta.

— Que se passa? Também ficaste sozinho?

O gato permaneceu sentado com os olhos postos em mim.

— Não sou grande companhia. No teu lugar ia procurar uma companhia melhor.

Ele limitava-se a olhar.

Eu abri mais a porta e dei espaço para que ele entrasse, dizendo:

— Anda. Queres vir comigo?

O gato levantou-se e gatinhou para dentro do prédio. Passou por mim, contornou-me e veio esfregar-se nas minhas pernas.

— Não achas um pouco cedo para demonstrações de carinho? — inquiri. — Mal nos conhecemos.

Subimos as escadas juntos, lado a lado, até à porta do apartamento. Mal a abri, ele entrou e começou a investigar tudo, todas as divisões, todos os cantos.

— Vê lá, não estragues nada.

Fui até à cozinha e preparei-lhe uma tigela de leite. Não tinha mais nada que lhe pudesse dar.

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