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NUNCA NEVA NO MEU ANIVERSÁRIO (excerto)

NUNCA NEVA NO MEU ANIVERSÁRIO (excerto)

─ Já não somos crianças. ─ disse eu, fotografando o horizonte. ─ E foi uma forma estupida de reagir ao teu beijo. ─ Baixei a máquina e olhei para ela. ─ Pensar que depois, fui eu que desejei beijar-te.

Sem tirar os olhos do horizonte, Sónia confessou:

─ Acredito. Eu própria voltei a ter esse desejo contigo. ─ Fiquei surpreso com a revelação. ─ Eras o meu melhor amigo. Por isso, talvez a melhor pessoa para testar um beijo. Tinha a certeza que se corresse mal, não me irias ridicularizar. ─ Sorriu com a lembrança. ─ Só que tu reagiste daquela forma… “Já viste o Crockett e o Tubbs aos beijos?”

─ Era um puto… ─ justifiquei, sem ter noção que a olhava atentamente. ─ Podias ter tentado roubar outro.

Ela dirigiu os seus olhos para os meus.

─ Nessa altura, não era um toque de lábios. Nessa altura, queria experimentar um daqueles beijos com língua. ─ Sorriu como se se sentisse ridícula por revelar aquilo. ─ Não podia roubar-te um beijo assim. Teria de ser dado de comum acordo. Era uma adolescente a começar a conhecer o meu corpo, os meus desejos… Era insegura e não suportaria ser recusada. Nem mesmo por ti.

─ Não te teria recusado.

─ Teria sido absurdo, Tubbs! ─ afirmou, desviando de novo o olhar para o horizonte. ─ Somos como irmãos.

Procurei calcular quanto tempo demoraria o Sol a tocar no mar, sentindo uma mistura de paixão com raiva por ela me comparar a um irmão e eu não ter coragem de lhe revelar os meus sentimentos. Agia como se tivesse treze anos.

─ Nós não somos irmãos!

─ És o meu melhor amigo. ─ corrigiu com naturalidade.

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