AS MAGRIÇAS · Capítulo 21

Capítulo XXI

≈ 16 min de leitura

Os dias que antecederam a partida para o estágio foram de muito trabalho. Houve necessidade de contactar todas as jogadoras e colocá-las ao corrente do projecto e aquilatar o seu interesse. Laurinda foi incansável nesse aspecto. A princípio tínhamos pensado em convocá-las todas para uma reunião na Federação, mas como seria uma viagem longa para muitas delas e talvez desnecessária, optámos por um contacto telefónico. Como Laurinda estava mais à vontade com elas, encarregou-se da tarefa. Claro que muitas foram relutantes, não pelos empregos, pois a FPF cobria isso, mas pelas suas vidas privadas. Só que felizmente o “bichinho” do futebol falou mais alto.
No entanto, não abdiquei da presença de Ery na Federação para falar do castigo que a UEFA lhe aplicara. O seu feitio e comportamento nos jogos eram um problema, algo que me faria facilmente excluí-la definitivamente das convocatórias. Porém, Ery possuía algumas qualidades para jogar. E qualidade era algo que rareava na minha equipa.
Como se costuma dizer, Ery “fervia em pouca água”. Na reunião que tive com ela não fui nada meigo nas críticas. Até pedi a Laurinda que não estivesse presente para que nada interrompesse o que tinha para lhe dizer. Percebi perfeitamente a raiva que deveria ir na alma de Ery ao ouvir-me, só que não argumentou e limitou-se a escutar. Ela sabia que uma palavra minha e deixaria de fazer parte daquela equipa. Sabia que, se me estavam a dar tantas condições, melhor aceitariam que a excluísse do projecto. E ela não queria ficar de fora, mas seria o seu destino se não mudasse de atitude. Esta foi a mensagem e eu esperava que ela a tivesse assimilado.
Para minha agradável surpresa, num desses dias, também Vanda apareceu na Federação. Confirmara as informações que lhe dera e decidiu-se a integrar o estágio.
A situação mais complicada de resolver foi a de Eva, a única menor das convocadas, jogadora do Odivelas. Os pais não estavam com muita vontade de a ver afastada dos estudos por aquele período de tempo. Felizmente, ela era uma excelente aluna e conseguiu-se a concordância dos pais com o compromisso de a manter ligada aos estudos durante o estágio. Laurinda tomou para si essa responsabilidade.
Outro elemento incansável foi o senhor Simões. Encarregou-se de todos os pormenores da estadia de todo o plantel e equipa técnica em Tábua e reservou um autocarro para nos transportar durante o estágio. Para além disso, ainda contratou um massagista para a minha equipa técnica, o que acentuou ainda mais a crença e aposta que estavam a fazer em mim.
A partida para o estágio ficou agendada para um dos primeiros dias de Novembro. A concentração da equipa foi definida para o edifício da Federação, isto para as jogadoras do sul do país. As restantes juntar-se-iam ao grupo na estação ferroviária de Coimbra B, local onde o autocarro as iria buscar.
A manhã estava cinzenta, mas sem chuva ou sinal dela. Bem cedo, despedi-me dos meus pais e carreguei a bagagem até à rua, onde um táxi me aguardava para me transportar até à FPF. Olhava o ambiente exterior durante a viagem, sentindo o nervosismo provocado pela nova etapa que ia iniciar.
Quando cheguei, o senhor Simões já aguardava junto à entrada. Apesar de não nos acompanhar no estágio, fez questão de se despedir de todos, antes da partida. Em frente ao edifício, já um autocarro esperava a comitiva, era um daqueles veículos de viagens de longo curso, habitualmente usado pelas principais equipas.
Abrindo um sorriso, o dirigente da Federação cumprimentou-me e auxiliou-me na colocação da bagagem nos devidos compartimentos exteriores do autocarro. Seguidamente, comentei:
─ Não me diga que fui o primeiro a chegar.
─ A concentração só está prevista para daqui a meia hora. ─ lembrou, olhando para o relógio. Depois olhou para o passeio, mais abaixo. ─ Mas foi por pouco. Veja! Já lá vem a Laurinda.
A minha adjunta cumprimentou-o protocolarmente. Notava-se que não se davam bem e limitavam-se a trocar as palavras necessárias. Claro que comigo a postura era diferente e não escondeu a motivação por aquele momento.
Poucos minutos passados, vi chegar um individuo que não conhecia, o qual se dirigiu ao senhor Simões e o cumprimentou. Não deveria ter mais de quarenta anos, mas era bastante forte, parecendo quase excessivamente gordo, e vestia de forma desportiva. Era mais baixo que eu e parecia pesar uns cem quilos. Largou a bagagem no autocarro, como todos nós, e veio ao nosso encontro acompanhado pelo dirigente.
─ Ivan! Laurinda! Este é o Salomão, o novo massagista da equipa. ─ apresentou Simões. ─ Penso que é uma mais-valia para vocês.
─ Concordo. ─ disse eu, apertando a mão a Salomão e correspondendo ao largo sorriso que nos lançara.
Laurinda também o recebeu com simpatia, mesmo mantendo aquela sua postura distante. Não era difícil simpatizar com Salomão, pois era um indivíduo muito bem-disposto que irradiava um ar feliz de quem está de bem com a vida.
Permanecemos junto à entrada da Federação, aguardando a chegada dos elementos. A primeira a chegar, mesmo antes de Ralf Madeira, foi Vanda. Ela, para além da bagagem normal, trazia a tiracolo uma mala com um computador portátil com o qual exercia a sua actividade de webdesigner.
Logo de seguida, chegaram juntas Paula Rita, Eva e Gisela, as juniores do Odivelas que tal como Vanda eram estreantes nas convocatórias da equipa principal. Gisela era a capitã da equipa nacional de Sub-19 que também entusiasmara bastante Laurinda, quando viu as imagens. Eva fora a jovem que também me impressionara no último DVD que vira. Deixaram a bagagem no autocarro e trocaram cumprimentos com os que já haviam chegado. Não foi algo que notasse muito nesse momento com as jovens do Odivelas, mas Vanda não era muito bem vista pelas restantes, por não ser atleta federada… Ou melhor, naquele momento já o era, mas as condições que a tinham trazido ali não agradavam às restantes. E isso foi notório com a chegada das jogadoras mais experientes.
Um grupo de funcionários da Federação transportou os materiais desportivos que necessitávamos para o estágio, equipamentos, bolas, entre outras coisas.
Mara foi o elemento que se seguiu, vindo acompanhada pelo Prof. Nogueira, o qual encontrara alguns metros antes.
O clube que contribuía com mais jogadoras para a equipa nacional era o 1º Dezembro. E por isso não quiseram fazer por menos e transportaram as suas jogadoras no autocarro do clube entre Sintra e Lisboa. Uma a uma, todas vestidas de forma informal, Fabiana, Maria João, Nandinha, Lila, Carly, Jeninha, Ery, Cati, Paula Cristina e Mila desceram do veículo e juntaram-se a nós na entrada do edifício da FPF.
─ Parece que estão todas. ─ concluiu o senhor Simões.
─ Sim, as que ficaram de se reunir aqui, já cá estão. ─ confirmou Laurinda.
─ E as restantes? ─ interrogou.
─ Vamos buscá-las a Coimbra. ─ informei. ─ Não havia necessidade de deslocá-las até Lisboa, se podíamos combinar um local a meio do trajecto.
─ Fizeram bem. ─ concordou o dirigente.
O vento aumentou de intensidade e o aglomerado de nuvens adensou-se, prevendo-se que não escaparíamos à chuva na viagem. As jogadoras começaram a entrar no autocarro com a insígnia da Federação Portuguesa de Futebol, protegendo-se do clima mais agressivo e espalhando-se pelos lugares. Claro que as jogadoras do 1º Dezembro se agruparam todas perto umas das outras, como de costume. As do Odivelas fizeram o mesmo, apesar de não lhes notar intencionalidade nisso, eram novatas e fora uma forma de se protegerem daquele ambiente novo. Mara encontrara um assunto comum com Salomão, no momento da apresentação e acabaram por se sentar juntos. Madeira e Nogueira sentaram-se nos lugares atrás do meu.
Começando já a sentir as primeiras gotas de chuva, despedi-me de Simões que ficou de passar por Paúle perto do dia do primeiro jogo, se lhe fosse possível. Entrei no autocarro e fui interpelado pelo motorista:
─ Disseram-me que o senhor é que sabe o caminho?! Eu sei até Coimbra, mas a partir daí…
─ Não se preocupe. ─ descansei-o. ─ Depois eu dou-lhe as indicações.
Sentei-me no primeiro lugar, ficando com o enorme vidro frontal do veículo à minha frente, sem qualquer banco que me atrapalhasse a visão. Laurinda ocupou o lugar ao lado do meu.
O motorista colocou o autocarro em marcha. O ambiente calmo era somente interrompido pela conversa entre as jogadoras do clube de Sintra. Seguimos até ao Saldanha, passando pelo Marquês de Pombal e Avenida Fontes Pereira de Melo.
Não conseguia deixar de pensar na minha vida, a falta que sentia da minha Ivana, das dúvidas que me assolavam o espírito em relação a se estaria a fazer o correcto. Quem me dera que as coisas fossem diferentes, pensava eu, desejando que fosse possível ter Susana e Ivana perto de mim.
Acho que era das expressões que mais detestava, “quem me dera”, porque só servia para revelar o descontentamento que sentia.
O autocarro prosseguiu pela Avenida da República. Sem intenção de o fazer, acabei por olhar para a loja onde Camila trabalhara, quando a conheci. Dei por mim a sentir saudades dessa época. E o facto de o local estar encerrado e com as montras cobertas por cartões acentuou os sentimentos, como se fosse uma marca de que era algo que acabara, se perdera nas memórias e do qual já não havia nada, tal como aquele lugar fechado à luz do dia. Porém, eu nem tinha saudades de Camila… Ou tentava não ter. Foi alguém marcante na minha vida, mas… não resultara. Não resultara por causa do futebol. E agora, por mais que tentasse não pensar nisso, receava que o futebol terminasse a minha relação com Susana e, pior que isso, me afastasse da minha filha.
A chuva começou a cair com mais intensidade, conforme nós íamos saindo da capital. O motorista dirigiu-se à A1 e seguiu para Coimbra. Eu deixei-me embalar pelas gotas de água a bater no pára-brisas, pensando na minha pequena Ivana e nas saudades que tinha dela. Sabia que apesar de Susana ser ausente, Gabrielle cuidaria bem da minha pequenina, mas nada me substituiria no mundo de Ivana e ela não deixaria de sentir a falta da minha habitual presença em casa. Também tinha saudades de Susana… Para acentuar, sentia algum nervosismo por esta nova etapa, um súbito receio de falhar. Nunca tivera medo dos desafios, só que sem o querer, acabei por criar muitas expectativas à minha volta. E era isso que me atemorizava, desiludir quem apostara em mim.
O meu rosto deveria ser tão revelador da minha intranquilidade espiritual que Laurinda disse:
─ Está tudo bem? Parece preocupado…
Encolhi os ombros, como se não fosse importante. Não me apetecia falar naquilo que me ia na mente. Acho que Laurinda o percebeu e optou pelo silêncio.
Senti que fora pouco simpático e fiz assunto com ela sobre as atletas que faltavam.
─ Vão estar todas em Coimbra? ─ indaguei. A princípio, Laurinda não entendera a minha pergunta. ─ As outras jogadoras…
─ Sim, sim. ─ confirmou, abanando afirmativamente a cabeça.
─ Desculpe a minha ignorância, mas para além das do Boavista que sei que vêm do Porto, não faço a mínima ideia donde vêm as outras.
Laurinda sorriu, não se importando nada em me explicar:
─ Então, a Bélinha é a que vem de mais longe, de Esposende. A Paulita e a Patrícia Raquel do Várzea praticamente não estão muito mais perto, vêm de Barcelos. E a Ariela vem de Aveiro.
A chuva aumentou imenso com a aproximação de Coimbra. Chovia com tal intensidade que o motorista abrandou bastante a velocidade. Confesso que me abstraí da viagem, ficando a olhar para a paisagem. Perante o meu silêncio, Laurinda juntou-se ao animado grupo sintrense.
O trajecto estava praticamente igual ao que eu fazia, quando viajava entre Lisboa e Paúle ao volante do meu carro, naquelas épocas em que joguei no G. D. Paúle. Voltei a ser invadido pelas recordações e por essa estranha saudade.
O autocarro seguiu pela A1 até perto de Coimbra. O motorista conhecia tão bem a estrada quanto a ligação pelas ruas conimbricenses até à estação ferroviária de Coimbra B. Apesar de ter por lá passado algumas vezes, sentia-me completamente perdido e só reconheci alguma coisa quando ele desviou das vias principais, contornou uma rotunda, passou por baixo da linha do comboio e entrou no parque da estação. Aí reconheci rapidamente o local.
Já não chovia tanto, mas o vento era forte e as gotas grossas. Laurinda passou por mim e disse:
─ Vou lá dentro ver se as vejo.
Eu assenti com a cabeça.
─ Eu vou consigo. ─ ofereceu-se Salomão, tentando ser prestativo.
Permaneci no meu lugar com pouca vontade de ir lá fora.
A Bélinha combinara encontrar-se com a Patrícia Raquel e a Paulita em Barcelos. E daí seguiram no comboio até ao Porto. Na estação ferroviária da Campanhã apanharam o comboio Intercidades até Coimbra. Curiosamente, Tita, Tuxa, Beta e Manelinha também vieram no mesmo comboio, mas só se encontraram todas em Coimbra.
Ariela, que tinha o percurso menor para fazer, também poderia ter entrado no Intercidades quando este passou por Aveiro. Contudo, optou por vir mais tarde no comboio Regional. Fui informado desta situação por Laurinda quando regressava da estação com as jogadoras, pois telefonara à jogadora para saber se ela também tinha chegado naquele.
─ Quando é que ela vai chegar? ─ indaguei eu.
─ Daqui a uns vinte minutos.
Todas se instalaram nos lugares vagos. Como sempre, alguma distância entre as boavisteiras e as sintrenses. Para além disso, nenhuma cumprimentou Vanda e acenaram friamente às jovens do Odivelas. A recepção e integração das novatas seriam mais um problema a resolver.
O tempo foi passando como uma eternidade. Lá fora as gotas de chuva caiam com maior intensidade e o vento também aumentara.
Laurinda voltou a passar por mim para ir para a estação.
─ Já chegou? ─ perguntei.
Ela olhou para o relógio e respondeu:
─ Deve estar mesmo a chegar…
─ Deixe estar, eu vou lá. ─ ofereci-me.
Se as ruas de Coimbra eram desconhecidas, o interior da estação era para mim bastante conhecido. Entrei e segui para as linhas onde os Regionais paravam habitualmente. Quase a chegar ao apeadeiro, ouvi uma voz ecoar pela estação, informando que o comboio iria parar numa outra linha.
Irritei-me com a situação, pois parecia que nada corria bem. Já não conseguiria ver os passageiros sair do comboio, logo estava sujeito a desencontrar-me com Ariela. No momento em que me dirigi para a linha nomeada, vi uma mulher que me chamou a atenção. Não consegui evitar de a contemplar, enquanto ela caminhava na direcção oposta à minha. Elegante nas passadas que dava, esguia de corpo, vestia camisola e saia sob um casacão comprido e fazia ecoar o tacão das botas altas a cada passo que dava. Carregava um saco de viagem na mão direita e com a esquerda retocava o rabo-de-cavalo.
A sua imagem deixou-me hipnotizado, quase esquecendo o que me levara ali. Com a aproximação, notei que o seu rosto não me era estranho.
─ Bom dia, mister! ─ cumprimentou-me.
O meu espanto devia estar bem estampado no meu rosto. Meio engasgado, retribuí:
─ Bom dia, Ariela!

Sim, não vou esconder que durante a viagem pelo IP3, Ariela não me saia da cabeça. Já nos estágios em Santarém e na Alemanha eu achara que Ariela sobressaia das restantes e até lhe vislumbrava alguma beleza. Mas… Naquele fim de manhã, Ariela revelara-se uma mulher bem bonita.
Se não me engano, ela estava sentada umas três filas atrás de mim. E eu extremamente tentado a virar-me para a observar.
─ Onde é que viro? ─ despertou-me a pergunta vinda do motorista.
A princípio não soube o que responder, pois nem sabia onde estava. Ele repetiu a pergunta e eu lembrei-me do nome da placa onde deveríamos sair do IP3. Para evitar falhas, não voltei a pensar em nada para além do trajecto até Tábua.
Para nossa sorte, quando chegámos à vila, a chuva já não caía. O autocarro era imponente, naquelas ruas singelas. Fui o primeiro a sair do veículo, tal como todos esperavam que fizesse, uma vez que conhecia o local. Para os restantes, tudo era novidade.
Recordei-me do momento em que ali estivera pela primeira vez, quando tudo era novidade para mim também e decidira confiar nas sugestões do jovem a quem dera boleia, o meu cunhado. Olhei para a fachada do hotel, sentindo a brisa gelada e húmida na face. O porteiro olhava para nós completamente atordoado com tanta gente a sair do autocarro com destino ao hotel.
─ Boa tarde! ─ cumprimentei-o. ─ O Joselino está?
Nem teve tempo de responder, pois Joselino aparecera pela porta e viera cumprimentar-me com um abraço.
─ Grande grupo. ─ constatou na brincadeira, observando a comitiva. ─ Está tudo organizado conforme o senhor Simões pediu.
─ Não esperava outra coisa de ti, amigo.
Joselino pediu a dois bagageiros do hotel que conduzissem os hóspedes aos seus quartos. Deu directrizes bem precisas e eles acataram-nas todas com bastante atenção. Ele já ali trabalhava havia bastantes anos e ganhara reputação e respeito, para além das promoções na hierarquia da empresa.
─ Também está reservado um quarto para ti. ─ informou. ─ Mas pensei que ficasses em casa da tua irmã.
Numa terra pequena como era Paúle, duvidava muito que a minha desavença com Manuela não fosse do conhecimento geral, ainda para mais com a saída de Cibele da aldeia para um colégio interno. Contudo, fiz de conta que ele não sabia e respondi:
─ Prefiro ficar junto às jogadoras.
Ele pareceu compreender, abanando afirmativamente a cabeça.
Peguei no meu saco de viagem e caminhei para o interior do edifício, bem mais quentinho, enquanto Joselino foi dar indicações ao motorista para levar o autocarro para as traseiras do hotel, onde ficava o parque privado.
As jogadoras ficaram agrupadas aos pares nos quartos, excepto Vanda a quem calhou ficar sozinha, uma vez que o número total de atletas era ímpar. Os restantes elementos da comitiva ficaram em quartos separados. Só tivemos tempo para deixar a bagagem nos quartos e descer até à sala de refeições, onde nos aguardava o almoço.
O hotel, apesar de localizado numa vila humilde e não ser muito grande, tinha bastante requinte e eu considerava-o ideal para o meu projecto. Nessa tarde, fiz uma visita guiada a Laurinda para lhe mostrar o espaço. Para além da ampla sala de refeições, tinha uma sala de estar muito acolhedora com uma bela lareira que seria bem agradável nas noites frias do estágio. O hotel tinha também um ginásio onde expliquei a Laurinda que poderia ser usado pelas atletas, caso houvesse um dia em que não fossemos a Paúle. Depois, mostrei-lhe a piscina interior do hotel que era aquecida, óptima para momentos de relaxamento após um dia de treino.
─ Quero recolher obrigatório após o jantar. ─ avisei Laurinda. ─ Hoje principalmente, pois amanhã começaremos o dia bem cedo. Quero todas prontas às oito da manhã.
Laurinda concordou, dizendo:
─ Não se preocupe, tratarei de avisar todas.
Tal como ao almoço, as jogadoras agruparam-se pelas mesas da mesma forma, sintrenses de um lado, boavisteiras do outro, as restantes pelo meio, sendo que as novatas estavam numa mesa à parte. Pelo menos, Vanda enquadrara-se com as jovens do Odivelas.
Eu e todo o pessoal técnico ficámos na mesma mesa.
Claro que o recolher obrigatório levantou protestos, pois não havia o hábito de ter regras nos estágios tão rígidas. No entanto, a sua insatisfação não evitou que às 21h30 já todas estivessem nos seus quartos.
Antes de me deitar, liguei para a Suíça para falar com Susana, mas já não fui a tempo de ouvir a voz de Ivana. Ainda estava a estruturar os meus horários e tinha falhado no pormenor da diferença horária. Não era fácil trocar palavras com Susana, ouvindo a sua doce voz e pensando nela, no seu carinho, no seu corpo, na paixão e amor que nos unia, não poder estar junto dela para abraçá-la e amá-la. Era o preço das minhas opções, só esperava que valesse a pena.
Fim do capítulo

📚 Gostaste desta história?

Descobre outro livro completo da Biblioteca NST.

Ver Livros Completos

O que achaste deste capítulo?

Sê a primeira pessoa a avaliar.

← Capítulo anterior Todos os capítulos Capítulo seguinte →