Capítulo VII
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Quando Leonardo entrou em sua casa, no Montijo, largou as chaves e o telemóvel e foi tomar um banho. Logo que acordou em casa de Matilde, nessa manhã, confirmou que ela ainda dormia e não perdeu tempo a deixar o apartamento.
Aquele banho soube-lhe muito bem, depois de um dia inteiro no meio do tumulto social e uma noite mal dormida num sofá. Ao regressar da casa de banho com uma toalha enrolada à volta da cintura, Leonardo reparou no seu telemóvel a piscar. Pegou no aparelho e viu que tinha uma chamada não atendida de Adriana. Porém, antes de conseguir ligar lhe, o telemóvel voltou a tocar.
— Olá, Adriana! — cumprimentou ele, ao atender.
— Olá, Leo!
A bailarina ligara-lhe preocupada, assim que soube nas notícias dos acontecimentos da noite anterior.
— Ouvi há pouco no noticiário. Falaram do teu nome e da jornalista, uma Matilde… qualquer coisa.
— Leão. — completou ele. — A Matilde Leão é a jornalista que tenho acompanhado ultimamente nas reportagens.
— Na televisão disseram que vocês foram agredidos… Meu Deus… Como é que tu estás?
— Não foi nada de grave. — descansou-a. — Podia ter sido bem pior.
Leonardo não quis adiantar muito do que acontecera, preferindo que o tempo o ajudasse a esquecer.
— O importante é que estás bem. E ela também, claro. — disse Adriana. — Olha! Vais fazer alguma coisa logo?
— Não tenho nada planeado. A seguir ao almoço vou à estação, mas devo regressar ao fim da tarde.
— Não queres passar cá por casa? — convidou ela num tom alegre. — Podíamos conversar e comer qualquer coisa por aqui. Que achas?
— Acho bem. — concordou ele, retribuindo o tom dela.
— Passas a noite comigo?
— Se tu quiseres.
— Estou com vontade de dormir contigo. — confessou Adriana.
— Dormir?
— Tu sabes o que eu quero dizer.
— Sei, mas também gosto que o digas com todas as letras.
— Está bem, tonto. Estou com vontade de fazer sexo contigo.
— Estarei em tua casa, antes do jantar.
— Ok. Combinado.
O dia começava bem, pensou Leonardo, com um convite da sua adorável amiga Adriana para mais uma noite de paixão. Até parecia que ganhara um fôlego novo para encarar as recordações desagradáveis da noite anterior.
Nessa mesma manhã, no seu apartamento, Zahra acordara com Adriana em mente. Os momentos que tinham passados juntas, alguns dias antes, tinham sido muito agradáveis e Zahra não conseguia retrair a vontade de voltar a estar com a bailarina.
O seu inconsciente alertava-a para que não cedesse, mas a razão pouca hipótese teve contra o coração. Por isso, mal saiu da cama, a sua primeira missão foi telefonar a Adriana.
Claro que a bailarina ficou deliciada por receber o telefonema e ainda mais quando ouviu o convite da outra para se encontrarem. Parecia que toda a realidade desaparecera do mundo de Adriana e só Zahra importava. Sem hesitar, aceitou a sugestão e a violinista combinou que a iria buscar ao teatro, após o ensaio.
Se o dia começara bem para Leonardo, tudo se alterou quando ele ia a entrar no edifício da estação de televisão, momento em que o seu telemóvel tocou. Para sua tristeza, Adriana desmarcava o encontro de ambos nessa noite sem dar justificação. Leonardo aceitou aparentemente bem o facto, uma vez que a relação sem tabus também implicava não haver cobranças. No entanto, ele não pôde deixar de se sentir rejeitado e declinado em prol de outra pessoa, pois conhecia Adriana o suficiente para saber que aquela desmarcação tinha como causa um encontro com outra mulher.
Ao chegar ao piso do departamento de informação, a agitação de jornalistas quase lhe tirou a vontade de atravessar aquele espaço. Só que o director de informação chamara-o e ele tinha de ir ao gabinete do chefe.
A redação era sempre um local de confusão organizada. Preferia muito mais o departamento de imagem, onde se faziam as edições e montagens de reportagens, já para não falar dos estúdios onde se filmavam os blocos informativos.
Assim que abriu a porta, viu Matilde no outro lado da redação. O olhar atento aos papéis que tinha na mão e o semblante carregado alertavam-no para que a “velha” Matilde Leão estava de volta e deixara a vulnerável da noite anterior enterrada nas recordações dos tumultos. Ela nem dera por ele e já estava a falar de forma autoritária e arrogante com outros colegas da informação, culpando-os pela forma como a notícia das agressões fora dada.
Sentiu o arrependimento por se ter comprometido com ela a não pedir ao chefe que não voltassem a trabalhar juntos. Contudo, dera a sua palavra e não era homem de não a cumprir. Mas, também só teria de a aturar uma vez mais, pois caso ela repetisse as atitudes anteriores, ele iria direito à direcção de informação.
A sua passada levou-o a atravessar o departamento até à porta do gabinete. Só que antes de a alcançar, Matilde viu-o e chamou-o.
— Leonardo!
Ele olhou para ela e não pôde deixar de reparar como o semblante frio e calculista se alterara para algo parecido com simpatia.
Leonardo forçou um sorriso e fez um aceno tímido, como se não quisesse que os outros reparassem nele.
Matilde aproximou-se e deu-lhe dois beijos na face, o que deixou surpresos, todos os que viram, pois ela era conhecida pela distância que gostava de manter dos colegas.
— Se procuras o chefe, ele não está. — informou ela. Lançou-lhe um sorriso trocista. — Pensei que tivesses concordado em não pedir ao…
— Foi ele que me chamou. — explicou Leonardo, olhando para o interior do gabinete vazio.
— Ele teve de sair. Deve voltar daqui a pouco. Queres tomar um café?
— Agora?
— Sim. Enquanto ele não vem.
Leonardo concordou e Matilde ordenou ao colega mais próximo que os chamassem assim que o chefe chegasse.
O seu caminho levou-os até à cantina, no piso inferior, onde àquela hora não estava quase ninguém. Foram buscar os cafés ao balcão e sentaram-se frente a frente numa das mesas do local.
— Foste embora sem dizer nada. — recordou ela em jeito de recriminação.
— Quando acordei, tu ainda devias estar a dormir. — explicou ele, deitando açúcar na chávena. — Não te ia acordar.
— Obrigado por teres passado lá a noite. — voltou a agradecer, olhando-o com ternura. — Foste um querido. Eu estava em choque com tudo o que aconteceu. Acho que não iria conseguir dormir toda a noite, se não soubesse que estavas ali.
— Já te sentes melhor?
— Sim… A noite de sono repousou-me o espírito. Mas, a prova de fogo será quando encarar novamente uma reportagem num local de conflito.
— Vais encarar bem. — profetizou ele, pouco importado se estaria certo ou não. — A Matilde Leão que todos conhecemos é uma fera.
A jornalista mudou a expressão do olhar e inquiriu:
— Porque é que sinto que isso não é propriamente um elogio?
— É assim que as pessoas te veem. Uma mulher felina que não se deixa abater perante os obstáculos.
— As pessoas veem-me como um alvo a abater. — retorquiu ela. — E a vida ensinou-me que a melhor defesa é o ataque.
— É por isso que és assim tão…
— Tão?
— Deixa. As nossas diferenças de pontos de vistas levam-nos a discutir e eu não quero discutir contigo.
Matilde olhou-o com curiosidade, usando um semblante descontraído, mas perspicaz. Desde a noite anterior que sentia algo por ele, algo que não conseguia discernir muito bem. No entanto, ele lutara por ela, apesar de ela ser uma víbora. Sim, ela tinha noção da forma como tratava as outras pessoas e como estas a viam. Sem amigos, sem despertar afecto, seria natural que ele a tivesse deixado à sua sorte. Porém, mesmo com todas as discussões dos poucos dias em que trabalharam em conjunto, após toda a raiva e ódio que cultivavam um pelo outro, ele colocou a vida em risco para a salvar. E isso tocara o coração frio feito de pedra que batia no peito de Matilde Leão.
— Olha para mim e diz-me tudo o que pensas. Sem rodeios ou hesitações. Olhos nos olhos, dou-te a oportunidade de deitares cá para fora tudo o que pensas de mim sem que eu discuta. Quero saber como me vês.
— Porquê? — questionou Leonardo. — Que te interessa aquilo que eu possa pensar de ti. Será apenas uma opinião.
— Pelo que fizeste ontem…
— Esquece isso. — desvalorizou ele. — Não me deves nada por eu te ter ajudado.
— Posso acabar? — interrogou ela em tom de ordem. A seguir, perante o silêncio do colega, alterou o tom para algo mais simpático. — Pelo que fizeste ontem, vejo-te como o mais parecido que tenho de um amigo. Como deves calcular, alguém que gere as suas relações sociais e profissionais como eu faço não pode esperar ter muitos amigos ou um que seja. Tu foste um amigo, ontem. E eu gostava de manter essa amizade. — Sorriu, esperando que ele retribuísse. Ele manteve-se impávido. Matilde perdeu o sorriso e prosseguiu. — Por isso, gostava que não houvesse nada que ficasse por dizer. Também não quero discutir, muito menos contigo. Por isso, diz-me tudo o que pensas de mim e eu não contestarei.
Leonardo assentiu, fazendo um ar de quem diz “foste tu que pediste”.
— Acho que és antipática, arrogante, autoritária sem razão ou qualidade para o ser. És homofóbica, o que para mim é um defeito desprezível. Como colega és irritante, achas que todos te devem obedecer. É difícil conversar contigo sem pensar se vamos despoletar a violência verbal em ti. Resumindo, és o tipo de pessoa com que eu não quereria falar nem se estivesse sozinho numa ilha deserta.
Matilde ficou pálida. Oferecera o corpo às balas e ele disparara sem dó nem piedade. A Matilde Leão normal desancá-lo-ia por todos aqueles adjectivos pejorativos. Porém, ela prometera aceitar. E o que mais a magoou foi sentir que suportaria aquelas ofensas sem dor a qualquer pessoa… menos a ele.
De súbito, cara a cara com Leonardo, Matilde reviu-se nos tempos de criança, quando ainda não se sabia defender e os colegas da sua idade a rebaixavam. Baixara o escudo que nunca descurava, pronta a receber o ataque, mas percebendo naquele instante que esse mesmo ataque fora demasiado poderoso. A Matilde fria e calculista perdera-se e ela não a conseguia reencontrar.
Afinal não tinha ali um amigo, tinha alguém que a detestava e só a ajudara porque se convencera temporariamente que não era Matilde que precisava de ajuda, mas sim uma colega, uma figura abstracta que merecera o seu auxílio devido ao lado humanista de Leonardo.
— Bolas… — acabou por dizer, segurando a mágoa para que as lágrimas não a fragilizassem ainda mais.
— Pediste para te dizer…
— Sim, sim. — atalhou ela, desviando o olhar. — Obrigado pela sinceridade. — Simulou um sorriso. — Não esperava melhor, mas também não esperava tanto.
Leonardo não se pronunciou.
Nesse instante, o colega da redação entrou na cantina para os avisar da chegada do director de informação.
Antes de se levantar, Matilde disse:
— Depreendo pelas tuas palavras que a amizade está fora de questão.
— Tu não precisas da minha amizade. — explicou Leonardo. — Só te sentes em dívida para comigo por te ter ajudado. Já te disse, esquece isso.
E com aquelas palavras, Leonardo levantou-se da cadeira.
Matilde segurou-lhe o braço e sugeriu:
— Já que vais falar com o chefe, podes pedir-lhe para não trabalhar mais comigo. Sei que te pedi uma segunda oportunidade, mas não quero que fiques contrariado. Penso que talvez seja melhor assim.
— Não. — recusou o operador de câmara. — Se concordei em dar-te uma segunda oportunidade, irei fazê-lo. — Olhou-a com um semblante paternalista. — Não faças esse ar. Tu sabes muito bem o que as pessoas pensam de ti. Porque pensaria eu diferente? Quando não queremos ouvir as verdades, não as pedimos.
Matilde assentiu com a cabeça e, olhando-o com frieza, lembrou:
— O chefe está à tua espera.
Quando ele desapareceu pela porta da cantina, Matilde caminhou triste até à casa de banho. Aí, entrou e refugiou-se num dos cubículos fechados. Sentou-se no tampo da sanita e fez algo que desde há muitos anos não fazia, chorou por alguém não gostar dela.
Enquanto Leonardo subiu de regresso ao departamento de informação, interrogou-se se teria sido demasiado cruel nas palavras. A seguir, riu-se com tamanha idiotice. Como se fosse possível ser cruel com alguém como Matilde Leão, a jornalista mais fria, cruel e implacável que alguma vez conhecera.
Nessa tarde, Magdalena e Manuel encontraram-se antes de irem para mais um ensaio da orquestra. O músico angolano tinha um semblante afável e era bastante carinhoso com a namorada. O sítio escolhido para namorar um pouco eram os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, onde podiam escolher uma dos bancos resguardados pela vegetação para trocar beijos apaixonados.
Magdalena era mais sôfrega nos beijos, procurando saciar uma enorme tesão que lhe percorria o corpo. Manuel era menos intenso, apesar de igualmente apaixonado. Protegidos pela localização isolada do banco de pedra, a jovem flautista meteu a mão dentro das calças dele.
— Espera! — pediu ele, entre beijos. — Pode vir alguém.
— Não passa ninguém por aqui. — recordou ela, uma vez que desde que ali estavam ainda ninguém se aproximara sequer.
— Não me sinto à vontade. — insistiu ele.
Magdalena nem parecia ter menos quatro anos que ele. Sem dizer nada, sentou-se ao colo dele e puxou-lhe o membro para fora das calças, dando-lhe a sentir o tecido das cuecas escondido pela saia.
— Se tivesses um preservativo, deixava-te entrar em mim, agora. — sussurrou-lhe ao ouvido.
Manuel engoliu em seco, esforçando-se para que a excitação não o atraiçoasse num jorro quente.
— Não… Não tenho. — gaguejou. — Mas, não quero que a nossa primeira vez seja assim.
Magdalena beijou-o com ternura e voltou a guardar o que trouxera para o exterior, regressando ao seu lugar ao lado do namorado.
Manuel, envergonhado, arranjou as calças.
— Temos de arranjar um local para o fazermos. — afirmou ela. — Deixas-me doida.
— Gostava que fosse um lugar especial. — desejou ele. — Um lugar bonito, memorável, tal como é a perda da virgindade.
Magdalena olhou para ele, surpresa.
— Perda da virgindade? — A jovem soltou uma gargalhada. — Que pensamento tão… infantil. — O rosto de Manuel ficou pálido. — Não. O quê? Pensas que sou virgem?
Manuel assentiu com a cabeça, completamente embaraçado.
— Lamento desiludir, mas não vais ser o primeiro.
Magdalena sorriu e desvalorizou o facto. Reafirmou a enorme paixão que tinha por ele e não lhe interessava saber quantas miúdas já haviam tido sexo com ele. No entanto, astuta, ela percebeu algo no seu silêncio:
— Não acredito. Tu és virgem?
— Lamento desiludir, mas serás a primeira. — disse ele, usando o mesmo tom que ela usara antes.
Magdalena ficou deliciada. Beijou-o mais algumas vezes e avisou:
— Agora é que não vou descansar, enquanto não tivermos um lugar para fazer amor.
O casal não se manteve por ali muito mais tempo, somente o suficiente para mais alguns beijos, pois o ensaio aproximava-se.
Levantaram-se do banco, compuseram a roupa e caminharam de mão dada.
Só ao chegar à sala de ensaios é que as mãos de ambos se largaram, perante o olhar condenatório do maestro Norton Vila. Este nem se dera ao trabalho de disfarçar, mas ninguém reparara.
Enquanto os músicos afinavam os instrumentos, Rudolph pensava em como era errado o que pretendia fazer a Magdalena, abusar dela em troca de um contrato mais prolongado na orquestra. Era errado, mas ela merecia, repetia a si mesmo, merecia por namorar um preto.
O ensaio durou cerca de duas horas, ensaiando-se diversos trechos de música clássica com o protagonismo habitual para o pianista José e para a violinista Zahra.
No fim, os músicos arrumaram os instrumentos e começaram a dispersar. José Norton Vila foi dos primeiros a sair, despedindo-se da noiva e acenando um adeus rápido ao pai. Zahra também parecia estar com alguma pressa, pois guardou o violino com rapidez e saiu.
— Magdalena! — chamou o maestro. — Preciso de conversar consigo.
Manuel passou pela namorada e disse-lhe que tinha de ir andando. Magdalena ofereceu-lhe um sorriso e um beijo e combinou telefonar-lhe mais logo.
Rudolph Norton Vila fulminou o casal com o olhar. Porém, desta vez teve algum cuidado. Mantendo o tom formal na presença dos músicos que ainda ali estavam, pediu à jovem moldava que o acompanhasse ao escritório.
— Isto está complicado. — lamentou Rudolph, sentado na sua cadeira no gabinete. — A administração quer cortar gastos e não pretende continuar com os estagiários.
Numa postura muito madura, até custava a acreditar que Magdalena só tinha quinze anos.
— Tinha-me dito que iria fazer tudo para que eu ficasse.
Rudolph assentiu com a cabeça, adicionando:
— Mas quero ser recompensado por isso.
Foi a vez de ela abanar a cabeça, confirmando que percebia onde ele queria chegar.
— Já falámos sobre isso. Farei o que for preciso, desde…
— …que não coloque em causa a tua virgindade. — completou ele, revelando que não se esquecera.
Magdalena não era virgem. Contudo, não lhe interessava ter relações sexuais com aquele velho porco que queria abusar de uma miúda, usando da sua posição na orquestra e da sua influência para que ali ficasse. No entanto, sabia que tinha de ceder a alguns actos que envergonhariam uma rapariga da sua idade para o resto da vida. Valia lhe saber que o que tivesse de fazer nunca sairia daquele gabinete.
— Que propões? — interrogou o maestro. — Logo vou ter uma reunião com alguns patrocinadores e ainda não sei se vale a pena interceder por ti.
— Como posso convencê-lo? — interrogou ela, sempre muito séria.
— Tocas flauta, não tocas? — A pergunta do maestro não pretendia uma resposta, apenas o seguimento para os seus desejos. Levou as mãos ao fecho das calças.
— Espere! — pediu ela. Abanou negativamente a cabeça. — Sei o que pretende, mas não o farei sem garantias de que fico.
Rudolph encolheu os ombros, como se não tivesse importância, e disse:
— Sendo assim, penso que a tua presença na orquestra terminará em breve.
Sem dizer uma palavra, Magdalena caminhou até ele. Sentou-se nas suas pernas, virada de frente para o maestro. Perante o seu olhar babado, a jovem desapertou os botões da camisa e abriu-a, revelando o top elástico que acomodava os seios.
— Não o vou chupar, Rudolph. — avisou, desapertando e abrindo-lhe o fecho das calças. Meteu a mão lá dentro e puxou uma erecção rija. — Não o farei sem que me garanta que ficarei. — Levou as mãos ao top e puxou-o até á barriga, desnudando o peito singelo. Voltou a segurar a excitação do velho. — Mas, acho que lhe posso fazer um agrado que o motivará a falar em mim, logo.
As mãos do maestro agarraram sofregamente os seios dela, enquanto Magdalena procurava saciá-lo com as suas.
Aquele banho soube-lhe muito bem, depois de um dia inteiro no meio do tumulto social e uma noite mal dormida num sofá. Ao regressar da casa de banho com uma toalha enrolada à volta da cintura, Leonardo reparou no seu telemóvel a piscar. Pegou no aparelho e viu que tinha uma chamada não atendida de Adriana. Porém, antes de conseguir ligar lhe, o telemóvel voltou a tocar.
— Olá, Adriana! — cumprimentou ele, ao atender.
— Olá, Leo!
A bailarina ligara-lhe preocupada, assim que soube nas notícias dos acontecimentos da noite anterior.
— Ouvi há pouco no noticiário. Falaram do teu nome e da jornalista, uma Matilde… qualquer coisa.
— Leão. — completou ele. — A Matilde Leão é a jornalista que tenho acompanhado ultimamente nas reportagens.
— Na televisão disseram que vocês foram agredidos… Meu Deus… Como é que tu estás?
— Não foi nada de grave. — descansou-a. — Podia ter sido bem pior.
Leonardo não quis adiantar muito do que acontecera, preferindo que o tempo o ajudasse a esquecer.
— O importante é que estás bem. E ela também, claro. — disse Adriana. — Olha! Vais fazer alguma coisa logo?
— Não tenho nada planeado. A seguir ao almoço vou à estação, mas devo regressar ao fim da tarde.
— Não queres passar cá por casa? — convidou ela num tom alegre. — Podíamos conversar e comer qualquer coisa por aqui. Que achas?
— Acho bem. — concordou ele, retribuindo o tom dela.
— Passas a noite comigo?
— Se tu quiseres.
— Estou com vontade de dormir contigo. — confessou Adriana.
— Dormir?
— Tu sabes o que eu quero dizer.
— Sei, mas também gosto que o digas com todas as letras.
— Está bem, tonto. Estou com vontade de fazer sexo contigo.
— Estarei em tua casa, antes do jantar.
— Ok. Combinado.
O dia começava bem, pensou Leonardo, com um convite da sua adorável amiga Adriana para mais uma noite de paixão. Até parecia que ganhara um fôlego novo para encarar as recordações desagradáveis da noite anterior.
Nessa mesma manhã, no seu apartamento, Zahra acordara com Adriana em mente. Os momentos que tinham passados juntas, alguns dias antes, tinham sido muito agradáveis e Zahra não conseguia retrair a vontade de voltar a estar com a bailarina.
O seu inconsciente alertava-a para que não cedesse, mas a razão pouca hipótese teve contra o coração. Por isso, mal saiu da cama, a sua primeira missão foi telefonar a Adriana.
Claro que a bailarina ficou deliciada por receber o telefonema e ainda mais quando ouviu o convite da outra para se encontrarem. Parecia que toda a realidade desaparecera do mundo de Adriana e só Zahra importava. Sem hesitar, aceitou a sugestão e a violinista combinou que a iria buscar ao teatro, após o ensaio.
Se o dia começara bem para Leonardo, tudo se alterou quando ele ia a entrar no edifício da estação de televisão, momento em que o seu telemóvel tocou. Para sua tristeza, Adriana desmarcava o encontro de ambos nessa noite sem dar justificação. Leonardo aceitou aparentemente bem o facto, uma vez que a relação sem tabus também implicava não haver cobranças. No entanto, ele não pôde deixar de se sentir rejeitado e declinado em prol de outra pessoa, pois conhecia Adriana o suficiente para saber que aquela desmarcação tinha como causa um encontro com outra mulher.
Ao chegar ao piso do departamento de informação, a agitação de jornalistas quase lhe tirou a vontade de atravessar aquele espaço. Só que o director de informação chamara-o e ele tinha de ir ao gabinete do chefe.
A redação era sempre um local de confusão organizada. Preferia muito mais o departamento de imagem, onde se faziam as edições e montagens de reportagens, já para não falar dos estúdios onde se filmavam os blocos informativos.
Assim que abriu a porta, viu Matilde no outro lado da redação. O olhar atento aos papéis que tinha na mão e o semblante carregado alertavam-no para que a “velha” Matilde Leão estava de volta e deixara a vulnerável da noite anterior enterrada nas recordações dos tumultos. Ela nem dera por ele e já estava a falar de forma autoritária e arrogante com outros colegas da informação, culpando-os pela forma como a notícia das agressões fora dada.
Sentiu o arrependimento por se ter comprometido com ela a não pedir ao chefe que não voltassem a trabalhar juntos. Contudo, dera a sua palavra e não era homem de não a cumprir. Mas, também só teria de a aturar uma vez mais, pois caso ela repetisse as atitudes anteriores, ele iria direito à direcção de informação.
A sua passada levou-o a atravessar o departamento até à porta do gabinete. Só que antes de a alcançar, Matilde viu-o e chamou-o.
— Leonardo!
Ele olhou para ela e não pôde deixar de reparar como o semblante frio e calculista se alterara para algo parecido com simpatia.
Leonardo forçou um sorriso e fez um aceno tímido, como se não quisesse que os outros reparassem nele.
Matilde aproximou-se e deu-lhe dois beijos na face, o que deixou surpresos, todos os que viram, pois ela era conhecida pela distância que gostava de manter dos colegas.
— Se procuras o chefe, ele não está. — informou ela. Lançou-lhe um sorriso trocista. — Pensei que tivesses concordado em não pedir ao…
— Foi ele que me chamou. — explicou Leonardo, olhando para o interior do gabinete vazio.
— Ele teve de sair. Deve voltar daqui a pouco. Queres tomar um café?
— Agora?
— Sim. Enquanto ele não vem.
Leonardo concordou e Matilde ordenou ao colega mais próximo que os chamassem assim que o chefe chegasse.
O seu caminho levou-os até à cantina, no piso inferior, onde àquela hora não estava quase ninguém. Foram buscar os cafés ao balcão e sentaram-se frente a frente numa das mesas do local.
— Foste embora sem dizer nada. — recordou ela em jeito de recriminação.
— Quando acordei, tu ainda devias estar a dormir. — explicou ele, deitando açúcar na chávena. — Não te ia acordar.
— Obrigado por teres passado lá a noite. — voltou a agradecer, olhando-o com ternura. — Foste um querido. Eu estava em choque com tudo o que aconteceu. Acho que não iria conseguir dormir toda a noite, se não soubesse que estavas ali.
— Já te sentes melhor?
— Sim… A noite de sono repousou-me o espírito. Mas, a prova de fogo será quando encarar novamente uma reportagem num local de conflito.
— Vais encarar bem. — profetizou ele, pouco importado se estaria certo ou não. — A Matilde Leão que todos conhecemos é uma fera.
A jornalista mudou a expressão do olhar e inquiriu:
— Porque é que sinto que isso não é propriamente um elogio?
— É assim que as pessoas te veem. Uma mulher felina que não se deixa abater perante os obstáculos.
— As pessoas veem-me como um alvo a abater. — retorquiu ela. — E a vida ensinou-me que a melhor defesa é o ataque.
— É por isso que és assim tão…
— Tão?
— Deixa. As nossas diferenças de pontos de vistas levam-nos a discutir e eu não quero discutir contigo.
Matilde olhou-o com curiosidade, usando um semblante descontraído, mas perspicaz. Desde a noite anterior que sentia algo por ele, algo que não conseguia discernir muito bem. No entanto, ele lutara por ela, apesar de ela ser uma víbora. Sim, ela tinha noção da forma como tratava as outras pessoas e como estas a viam. Sem amigos, sem despertar afecto, seria natural que ele a tivesse deixado à sua sorte. Porém, mesmo com todas as discussões dos poucos dias em que trabalharam em conjunto, após toda a raiva e ódio que cultivavam um pelo outro, ele colocou a vida em risco para a salvar. E isso tocara o coração frio feito de pedra que batia no peito de Matilde Leão.
— Olha para mim e diz-me tudo o que pensas. Sem rodeios ou hesitações. Olhos nos olhos, dou-te a oportunidade de deitares cá para fora tudo o que pensas de mim sem que eu discuta. Quero saber como me vês.
— Porquê? — questionou Leonardo. — Que te interessa aquilo que eu possa pensar de ti. Será apenas uma opinião.
— Pelo que fizeste ontem…
— Esquece isso. — desvalorizou ele. — Não me deves nada por eu te ter ajudado.
— Posso acabar? — interrogou ela em tom de ordem. A seguir, perante o silêncio do colega, alterou o tom para algo mais simpático. — Pelo que fizeste ontem, vejo-te como o mais parecido que tenho de um amigo. Como deves calcular, alguém que gere as suas relações sociais e profissionais como eu faço não pode esperar ter muitos amigos ou um que seja. Tu foste um amigo, ontem. E eu gostava de manter essa amizade. — Sorriu, esperando que ele retribuísse. Ele manteve-se impávido. Matilde perdeu o sorriso e prosseguiu. — Por isso, gostava que não houvesse nada que ficasse por dizer. Também não quero discutir, muito menos contigo. Por isso, diz-me tudo o que pensas de mim e eu não contestarei.
Leonardo assentiu, fazendo um ar de quem diz “foste tu que pediste”.
— Acho que és antipática, arrogante, autoritária sem razão ou qualidade para o ser. És homofóbica, o que para mim é um defeito desprezível. Como colega és irritante, achas que todos te devem obedecer. É difícil conversar contigo sem pensar se vamos despoletar a violência verbal em ti. Resumindo, és o tipo de pessoa com que eu não quereria falar nem se estivesse sozinho numa ilha deserta.
Matilde ficou pálida. Oferecera o corpo às balas e ele disparara sem dó nem piedade. A Matilde Leão normal desancá-lo-ia por todos aqueles adjectivos pejorativos. Porém, ela prometera aceitar. E o que mais a magoou foi sentir que suportaria aquelas ofensas sem dor a qualquer pessoa… menos a ele.
De súbito, cara a cara com Leonardo, Matilde reviu-se nos tempos de criança, quando ainda não se sabia defender e os colegas da sua idade a rebaixavam. Baixara o escudo que nunca descurava, pronta a receber o ataque, mas percebendo naquele instante que esse mesmo ataque fora demasiado poderoso. A Matilde fria e calculista perdera-se e ela não a conseguia reencontrar.
Afinal não tinha ali um amigo, tinha alguém que a detestava e só a ajudara porque se convencera temporariamente que não era Matilde que precisava de ajuda, mas sim uma colega, uma figura abstracta que merecera o seu auxílio devido ao lado humanista de Leonardo.
— Bolas… — acabou por dizer, segurando a mágoa para que as lágrimas não a fragilizassem ainda mais.
— Pediste para te dizer…
— Sim, sim. — atalhou ela, desviando o olhar. — Obrigado pela sinceridade. — Simulou um sorriso. — Não esperava melhor, mas também não esperava tanto.
Leonardo não se pronunciou.
Nesse instante, o colega da redação entrou na cantina para os avisar da chegada do director de informação.
Antes de se levantar, Matilde disse:
— Depreendo pelas tuas palavras que a amizade está fora de questão.
— Tu não precisas da minha amizade. — explicou Leonardo. — Só te sentes em dívida para comigo por te ter ajudado. Já te disse, esquece isso.
E com aquelas palavras, Leonardo levantou-se da cadeira.
Matilde segurou-lhe o braço e sugeriu:
— Já que vais falar com o chefe, podes pedir-lhe para não trabalhar mais comigo. Sei que te pedi uma segunda oportunidade, mas não quero que fiques contrariado. Penso que talvez seja melhor assim.
— Não. — recusou o operador de câmara. — Se concordei em dar-te uma segunda oportunidade, irei fazê-lo. — Olhou-a com um semblante paternalista. — Não faças esse ar. Tu sabes muito bem o que as pessoas pensam de ti. Porque pensaria eu diferente? Quando não queremos ouvir as verdades, não as pedimos.
Matilde assentiu com a cabeça e, olhando-o com frieza, lembrou:
— O chefe está à tua espera.
Quando ele desapareceu pela porta da cantina, Matilde caminhou triste até à casa de banho. Aí, entrou e refugiou-se num dos cubículos fechados. Sentou-se no tampo da sanita e fez algo que desde há muitos anos não fazia, chorou por alguém não gostar dela.
Enquanto Leonardo subiu de regresso ao departamento de informação, interrogou-se se teria sido demasiado cruel nas palavras. A seguir, riu-se com tamanha idiotice. Como se fosse possível ser cruel com alguém como Matilde Leão, a jornalista mais fria, cruel e implacável que alguma vez conhecera.
Nessa tarde, Magdalena e Manuel encontraram-se antes de irem para mais um ensaio da orquestra. O músico angolano tinha um semblante afável e era bastante carinhoso com a namorada. O sítio escolhido para namorar um pouco eram os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, onde podiam escolher uma dos bancos resguardados pela vegetação para trocar beijos apaixonados.
Magdalena era mais sôfrega nos beijos, procurando saciar uma enorme tesão que lhe percorria o corpo. Manuel era menos intenso, apesar de igualmente apaixonado. Protegidos pela localização isolada do banco de pedra, a jovem flautista meteu a mão dentro das calças dele.
— Espera! — pediu ele, entre beijos. — Pode vir alguém.
— Não passa ninguém por aqui. — recordou ela, uma vez que desde que ali estavam ainda ninguém se aproximara sequer.
— Não me sinto à vontade. — insistiu ele.
Magdalena nem parecia ter menos quatro anos que ele. Sem dizer nada, sentou-se ao colo dele e puxou-lhe o membro para fora das calças, dando-lhe a sentir o tecido das cuecas escondido pela saia.
— Se tivesses um preservativo, deixava-te entrar em mim, agora. — sussurrou-lhe ao ouvido.
Manuel engoliu em seco, esforçando-se para que a excitação não o atraiçoasse num jorro quente.
— Não… Não tenho. — gaguejou. — Mas, não quero que a nossa primeira vez seja assim.
Magdalena beijou-o com ternura e voltou a guardar o que trouxera para o exterior, regressando ao seu lugar ao lado do namorado.
Manuel, envergonhado, arranjou as calças.
— Temos de arranjar um local para o fazermos. — afirmou ela. — Deixas-me doida.
— Gostava que fosse um lugar especial. — desejou ele. — Um lugar bonito, memorável, tal como é a perda da virgindade.
Magdalena olhou para ele, surpresa.
— Perda da virgindade? — A jovem soltou uma gargalhada. — Que pensamento tão… infantil. — O rosto de Manuel ficou pálido. — Não. O quê? Pensas que sou virgem?
Manuel assentiu com a cabeça, completamente embaraçado.
— Lamento desiludir, mas não vais ser o primeiro.
Magdalena sorriu e desvalorizou o facto. Reafirmou a enorme paixão que tinha por ele e não lhe interessava saber quantas miúdas já haviam tido sexo com ele. No entanto, astuta, ela percebeu algo no seu silêncio:
— Não acredito. Tu és virgem?
— Lamento desiludir, mas serás a primeira. — disse ele, usando o mesmo tom que ela usara antes.
Magdalena ficou deliciada. Beijou-o mais algumas vezes e avisou:
— Agora é que não vou descansar, enquanto não tivermos um lugar para fazer amor.
O casal não se manteve por ali muito mais tempo, somente o suficiente para mais alguns beijos, pois o ensaio aproximava-se.
Levantaram-se do banco, compuseram a roupa e caminharam de mão dada.
Só ao chegar à sala de ensaios é que as mãos de ambos se largaram, perante o olhar condenatório do maestro Norton Vila. Este nem se dera ao trabalho de disfarçar, mas ninguém reparara.
Enquanto os músicos afinavam os instrumentos, Rudolph pensava em como era errado o que pretendia fazer a Magdalena, abusar dela em troca de um contrato mais prolongado na orquestra. Era errado, mas ela merecia, repetia a si mesmo, merecia por namorar um preto.
O ensaio durou cerca de duas horas, ensaiando-se diversos trechos de música clássica com o protagonismo habitual para o pianista José e para a violinista Zahra.
No fim, os músicos arrumaram os instrumentos e começaram a dispersar. José Norton Vila foi dos primeiros a sair, despedindo-se da noiva e acenando um adeus rápido ao pai. Zahra também parecia estar com alguma pressa, pois guardou o violino com rapidez e saiu.
— Magdalena! — chamou o maestro. — Preciso de conversar consigo.
Manuel passou pela namorada e disse-lhe que tinha de ir andando. Magdalena ofereceu-lhe um sorriso e um beijo e combinou telefonar-lhe mais logo.
Rudolph Norton Vila fulminou o casal com o olhar. Porém, desta vez teve algum cuidado. Mantendo o tom formal na presença dos músicos que ainda ali estavam, pediu à jovem moldava que o acompanhasse ao escritório.
— Isto está complicado. — lamentou Rudolph, sentado na sua cadeira no gabinete. — A administração quer cortar gastos e não pretende continuar com os estagiários.
Numa postura muito madura, até custava a acreditar que Magdalena só tinha quinze anos.
— Tinha-me dito que iria fazer tudo para que eu ficasse.
Rudolph assentiu com a cabeça, adicionando:
— Mas quero ser recompensado por isso.
Foi a vez de ela abanar a cabeça, confirmando que percebia onde ele queria chegar.
— Já falámos sobre isso. Farei o que for preciso, desde…
— …que não coloque em causa a tua virgindade. — completou ele, revelando que não se esquecera.
Magdalena não era virgem. Contudo, não lhe interessava ter relações sexuais com aquele velho porco que queria abusar de uma miúda, usando da sua posição na orquestra e da sua influência para que ali ficasse. No entanto, sabia que tinha de ceder a alguns actos que envergonhariam uma rapariga da sua idade para o resto da vida. Valia lhe saber que o que tivesse de fazer nunca sairia daquele gabinete.
— Que propões? — interrogou o maestro. — Logo vou ter uma reunião com alguns patrocinadores e ainda não sei se vale a pena interceder por ti.
— Como posso convencê-lo? — interrogou ela, sempre muito séria.
— Tocas flauta, não tocas? — A pergunta do maestro não pretendia uma resposta, apenas o seguimento para os seus desejos. Levou as mãos ao fecho das calças.
— Espere! — pediu ela. Abanou negativamente a cabeça. — Sei o que pretende, mas não o farei sem garantias de que fico.
Rudolph encolheu os ombros, como se não tivesse importância, e disse:
— Sendo assim, penso que a tua presença na orquestra terminará em breve.
Sem dizer uma palavra, Magdalena caminhou até ele. Sentou-se nas suas pernas, virada de frente para o maestro. Perante o seu olhar babado, a jovem desapertou os botões da camisa e abriu-a, revelando o top elástico que acomodava os seios.
— Não o vou chupar, Rudolph. — avisou, desapertando e abrindo-lhe o fecho das calças. Meteu a mão lá dentro e puxou uma erecção rija. — Não o farei sem que me garanta que ficarei. — Levou as mãos ao top e puxou-o até á barriga, desnudando o peito singelo. Voltou a segurar a excitação do velho. — Mas, acho que lhe posso fazer um agrado que o motivará a falar em mim, logo.
As mãos do maestro agarraram sofregamente os seios dela, enquanto Magdalena procurava saciá-lo com as suas.