Capítulo XVII
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A Primavera estava a dar os primeiros passos daquele ano, o que não garantia que todos os dias fossem bonitos, amenos e radiosos. Aquele estava a ser a antítese disso mesmo, pois as nuvens cobriam o céu e a temperatura não era muito agradável.
No espaço onde a orquestra ensaiava, apenas alguns músicos o faziam sob a orientação de um adjunto, uma vez que o maestro Rudolph Norton Vila e o seu filho se encontravam ausentes no estrangeiro.
Nessa tarde, nem Zahra se apresentara aos ensaios.
Logo que o ensaio terminou, os músicos arrumaram os instrumentos e dispersaram. Magdalena arrumou a flauta no estojo e desceu do palco. A jovem de quinze anos mantinha sempre o seu ar ingénuo e simples de menina que pouco conhece da vida. Era vista por todos como uma jovem doce, apaixonada pela música, bonita e simpática. Todos sabiam do seu namoro com Manuel e quem lhe queria bem ficava feliz por o namorado ser um rapaz tão afável.
O que ninguém sabia é que por baixo daquela imagem imaculada estava um espírito rebelde, insaciável e disposta a tudo para atingir os objectivos. Quem pensasse que ela pouco sabia da vida, talvez não tivesse metade da sua sabedoria.
Uma dessas pessoas era o maestro Rudolph que continuava convencido que estava a abusar de uma jovem inocente que nunca lhe faria frente enquanto ele a chantageasse com o contrato.
Para a rapariga moldava, as cenas sexuais haviam sido nojentas, mas não se sentia abusada. Ao pensar nisso, ria-se sozinha por saber que tudo não passava de uma armadilha ao velho porco. E desde que lhe assinara o contrato, não a voltara a tocar, pois ela evitara-o nos primeiros tempos e esta viagem ao estrangeiro com o filho permitiram-lhe não ter de se preocupar com isso. E com a gravação na mão, jamais voltaria a satisfazê-lo, apesar de saber que ele iria tentar quando regressasse.
Ao abandonar o palco, Magdalena esperou por Manuel. O namorado pouco conversara com ela, ultimamente, e parecia furtar-se aos seus encontros. Magdalena não compreendia a atitude dele, mas não tinha dúvidas de que fora uma consequência da revelação que quebrara o imaginário casto da sua virgindade na mente dele.
— Manuel! — chamou com carinho, ao perceber que ele iria afastar-se como se não tivesse reparado nela. Ele aproximou-se quando ela lhe pediu com um gesto. — Está tudo bem?
Em frente a ela, Manuel manteve uma expressão facial neutra e respondeu:
— Sim. Tudo.
— Não temos estado juntos. Tenho saudades tuas.
— Não tem dado.
— Manuel! Não sou parva. Sei quando tentam evitar-me.
O namorado olhou-a nos olhos e não contrariou o que ela dissera.
— Que se passa?
— Sinto-me enganado. — ripostou ele com alguma mágoa na voz.
— Enganado? Em quê?
— Já não és virgem. — recordou, olhando-a zangado.
— Era suposto ser? Quando começámos a namorar, disse-te que era virgem?
— Assumi isso. Não me passou pela cabeça que uma miúda de quinze anos já tivesse tido relações sexuais.
— E então? Que tem isso de errado? Estamos no século XXI, Manuel. Há miúdas a fazer sexo mais novas que eu.
— Lamento. Mas isso para mim não dá.
— Não te imaginei tão retrógrado.
— Não se trata de ser retrógrado, é uma questão de moralidade.
Magdalena abandonou a postura doce e tornou-se mais agressiva nas respostas:
— Sim, tens razão, o problema não é seres retrógrado. O problema é que com dezanove anos nunca estiveste com uma mulher, por isso queres uma menininha casta para não correres o risco de seres comparado na cama e perceberes que não vales nada a dar prazer a uma mulher.
O rosto de Manuel franziu-se numa mistura de fúria e vergonha.
— Nem quero imaginar com quantos homens me poderias comparar.
A frase valeu-lhe o estalo na cara.
— Não sou nenhuma puta! — afirmou Magdalena enraivecida.
Os últimos dois colegas de orquestra que ainda por ali andavam testemunharam o estalo. Por instantes, ponderaram intervir, caso Manuel ripostasse a bofetada. Porém, o jovem angolano confirmou a imagem de bom caracter, pois jamais bateria numa mulher. E assim, eles acharam por bem irem embora.
— Não me interessa.
Como ele mantivera a postura após o estalo, Magdalena voltou a ser carinhosa nas palavras:
— Não precisas de te preocupar, quando fizermos amor não te irei comparar.
Manuel soltou uma gargalhada de escárnio.
— Deves estar doida, se pensas que alguma vez faremos amor. Achas que quero ter sexo contigo? Não te conheço, miúda. Não és a rapariga por quem me apaixonei e com quem namorava.
— Namoravas?
— Sim, namorava. Não quero mais nada contigo.
A fúria apossou-se dela. Não havia mágoa pelo fim do namoro, apenas raiva pela rejeição. Magdalena não suportava ser rejeitada, nem reconhecia naquele miúdo virgem capacidade para abrir mão de uma rapariga fogosa e doida por sexo como ela.
— Só te vou dizer uma coisa, Manuel. — avisou ela, fulminando o com o olhar. — Tu vais pagá-las!
E com aquelas palavras afastou-se como um touro enraivecido, desaparecendo pela porta principal, levando no espírito uma vontade incontornável de vingança.
Zahra não comparecera ao ensaio dessa tarde para receber Adriana em sua casa para mais uma tarde de prazer com a bailarina.
Sem darem pelo tempo passar, estiveram mais de duas horas na cama a fazer amor. Mesmo assim, isso pareceu não saciá-las o suficiente, uma vez que Zahra seguiu Adriana até ao duche para tomarem banho juntas por entre carícias, beijos e orgasmos.
— O José volta hoje. — informou Zahra, ao sair da casa de banho.
Adriana antecipara-se a abandonar o duche e já vestia as calças de ganga. Apertou os botões, recordando:
— É desta que lhe vais dizer?
Zahra atravessou o quarto com o roupão turco aberto sobre o corpo nu. As abas sustinham-se nos seios, mas o movimento fê-las abrir mais. Junto à amante, a violinista acariciou o rosto da bailarina e explicou:
— Prometi-te que o iria fazer, não prometi?
Adriana desviou-se para segurar na camisola que vestiu a seguir.
— Pelo teu tom, não me parece que o vás fazer já.
Zahra fechou o roupão e sentou-se ao fundo da cama.
— Vamos ter uma fase de concertos complicada.
— Não tarda, chega o dia do casamento e ainda não lhe disseste.
— Isso não vai acontecer, Adriana.
Adriana sentou-se a seu lado e calçou as botas altas.
— Confio em ti, Zahra! Confio tanto quanto te amo. Já esperei tanto tempo, posso esperar mais um pouco.
Zahra sorriu-lhe e beijou-a novamente.
— Tenho de ir. — lembrou Adriana, sentindo vontade de continuar a saborear-lhe a língua. — Senão chego atrasada ao ensaio. — Levantou-se da cama e pegou no saco que trouxera. — Se não lhe vais dizer, significa que vão ambos à estreia, certo?
Zahra assentiu.
— Vou reservar dois bilhetes para vocês. Depois, levantam-nos na bilheteira. Aviso-te já porque com o regresso do teu “ainda” noivo, talvez não tenhamos oportunidade de nos ver.
— Vai ser complicado.
Adriana encolheu os ombros.
Zahra levantou-se e despediram-se com mais um beijo.
O maestro Rudolph Norton Vila e o seu filho, o pianista José Norton Vila regressavam de avião da sua viagem ao centro da Europa, onde haviam estado em reuniões para uma digressão e a gravação de um novo disco com temas clássicos. A bordo de um avião da Lufthansa, pai e filho poucas palavras trocaram, aproveitando para deixarem os pensamentos divagar.
Rudolph não conseguia deixar de pensar em Magdalena. A imagem da rapariga provocava-lhe sempre um sorriso discreto, principalmente ao recordar os momentos em que a tivera ajoelhada a seus pés a dar-lhe prazer. Sabia que ao olhar de qualquer pessoa de carácter ele não passava de um ser humano desprezível, um homem adulto que se aproveitava da sua posição para abusar de uma miúda de quinze anos. Porém, não queria saber. A rapariga jamais contaria a alguém o que quer que fosse, prestando-se ao papel de vítima que só lhe traria dissabores e a afastaria dos rapazes que a veriam como uma pobre violentada. Tinha-a na mão, congratulava-se, seria a sua brincadeira para aliviar a tensão do trabalho. Ao recordá-la seminua, sentiu o desejo invadi-lo. Contentar-se-ia algum tempo com “orais”, mas depois… Seria delicioso ser o primeiro homem da vida dela. Sentiu-se capaz de lhe propor dinheiro em troca da virgindade que pensava que ela tinha. Porém… Antes, poderia explorá-la mais, revelar-lhe pouco entusiasmo com a sua boca e sugerir que ela teria de dar mais se queria nova renovação do contrato. A sua cabeça pensou em tudo, sabendo que ela recusaria perder a virgindade, ele explicar-lhe-ia os pormenores mais sórdidos da vida e partilharia com ela a forma como algumas raparigas na sua juventude se mantinham casta, deixando-se possuir por trás. Sim, faria isso, só avançaria com a proposta de dinheiro pela virgindade quando a tivesse “comido” por trás.
A seu lado, José pensava em… Adriana. O pianista não conseguia retirar a imagem sedutora da bailarina da sua cabeça. Levá-la para a cama tornara-se uma obsessão que teria de realizar o quanto antes, até porque a data do casamento se aproximava e não lhe passava pela cabeça ser infiel à esposa. A imagem de Adriana nem lhe despertara aquele interesse ao início, foi mais o conhecimento da sua libertinagem que o excitou. Se ela já abrira as pernas a outros sem complexos porque não poderia fazer o mesmo por ele? Claro que José estava longe de saber que tudo não passava de uma má interpretação sua. Fosse como fosse, tinha de agir rapidamente na sedução à bailarina. E se ela sucumbisse aos seus encantos, tinha de se manter calada com Zahra. Sorriu sem se aperceber, contente com a certeza que Adriana jamais partilharia isso com Zahra, correndo o risco de perder uma amizade que revelava ser tão importante para ela.
A voz do piloto do avião despertou ambos dos seus pensamentos. Em inglês com sotaque germânico, a voz informou que se estavam a aproximar do Aeroporto de Lisboa.
Dois dias antes da estreia da nova peça de bailado do Teatro Camões, Matilde telefonou a Leonardo à noite. Tivera uma semana terrível nas suas novas funções e nem tivera tempo para lhe ligar. Porém, apesar de ser muito tarde, não quis deixar passar aquela noite sem telefonar ao amigo para confirmar que o acompanharia ao espectáculo.
A tarde que antecedeu a estreia teve um ensaio da orquestra atípico. Nervosa com a estreia da amante e por novo reencontro entre ela e o seu noivo, Zahra falhou vários trechos.
— Que se passa? — indagou Rudolph à quarta falha.
— Hoje não estou nos meus dias. — justificou-se Zahra. — Peço desculpa a todos!
José abandonou o seu lugar ao piano e aproximou-se da noiva.
— Então?
— Não é nada. — disse ela, forçando um sorriso. — Há dias em que nada nos sai bem.
— Isso é verdade. — concordou o pianista.
Rudolph, de olhos em Magdalena, sentiu-se tentado em terminar o ensaio para aproveitar o tempo para chamar a jovem ao seu gabinete. Desde que regressara, ainda não tivera oportunidade de a chamar. E também seria difícil fazê-lo naquela tarde, tal estava preenchida a sua agenda.
— Vamos ensaiar as peças que não têm solos de violino? — sugeriu José ao pai, de forma a poupar a Zahra.
Rudolph concordou.
No fim do ensaio, os músicos abandonaram o espaço como sempre faziam. O maestro até foi dos primeiros, pois tinha uma reunião importante com um possível patrocinador.
José e Zahra saíram na companhia um do outro para irem a casa preparar-se para o importante evento dessa noite.
Ainda deviam estar uns dez músicos por ali, quando Magdalena se aproximou de Manuel.
— Podemos falar? — perguntou ela num tom doce e baixo.
— Não temos nada a conversar. — respondeu ele num tom normal.
Ninguém deu atenção à conversa deles e, aos poucos, todos se foram embora.
— Desculpa a minha atitude no outro dia. — continuou ela. — Tens todo o direito em não querer nada comigo. — Ele anuiu, grato por ela lhe dar razão. Ela repetiu. — Preciso de falar contigo. Estou com um problema.
Sem pensar, Manuel interrogou preocupado:
— Que se passa?
— Não quero falar aqui. — disse Magdalena, olhando em redor. — Podes vir comigo? Falamos noutro sítio.
— Se isto é algum esquema…
— Não sejas parvo. — indignou-se. — Não vamos a lado nenhum. Só não quero falar aqui no meio. Vem comigo até aos bastidores, onde posso ter a certeza que ninguém nos ouve.
Manuel concordou.
Magdalena seguiu à frente, indicando-lhe que a seguisse.
O jovem angolano observou-a, caminhando atrás dela. Não conseguia deixar de se sentir atraído por ela, ainda mais naquele instante em que ela surgira naquela tarde com uma saia fresca e uma camisola de malha justa. No entanto, não queria ter nada com ela, sabendo que já outros homens se haviam deitado consigo. Para si, a sua futura mulher deveria ser casta e ambos perderiam a virgindade na noite do casamento.
Manuel seguiu Magdalena pelos corredores até uma sala bem ao fundo da zona de bastidores. Já não havia ninguém por ali, daí que lhe parecesse absurdo tanto secretismo para o que lhe queria dizer.
A rapariga moldava abriu uma porta e, oferecendo-lhe um semblante sorridente e carinhoso, convidou-o a entrar.
Abanando a cabeça com o ridículo da situação, Manuel entrou numa sala sem janelas iluminada por uma luz no tecto. Entrou e esperou.
Magdalena fechou a porta. A seguir, meteu a mão no bolso da saia e retirou uma navalha com uma lâmina bem afiada. Quando ele se virou para ela, a rapariga agarrou-lhe o colarinho e encostou-lhe a lâmina ao pescoço.
— Que está a fazer? — interrogou Manuel, assustado com a navalha.
— Cala-te! — ordenou ela, alterando totalmente o tom de voz e o semblante singelo e inocente. — Só falas quando eu mandar.
— Cuidado com…
— Cala-te, preto! — voltou a ordenar, pressionando a lâmina. — Pensavas que me rejeitavas e ficava tudo bem? Comigo não.
— Não faças nenhum disparate. — pediu Manuel, completamente assustado.
— Deita-te no chão!
Sem lhe largar o colarinho nem afastar a lâmina, Magdalena acompanhou o corpo dele a descer ao chão. Quando ele se deitou, ela sentou-se na barriga dele para que os braços ficassem presos pelas suas pernas.
— Achas-te muito puro para te envolveres comigo, não é? — O tom enraivecido dela era cortante. — Quem pensas que és para me chamares puta?
— Não te quis ofender. — balbuciou ele. — Nem nunca te chamei p… pu… puta.
Magdalena encostou a navalha ao pescoço dele e fê-la deslizar como se fosse cortar, mas apenas deixou um vinco.
— Se te armares em esperto, corto-te e deixo-te a esvair em sangue. — ameaçou ela. — E não penses que não sou capaz de o fazer. Não fazes ideia do que sou capaz. — Ele anuiu em pânico. — Despe as calças!
A ordem provocou-lhe uma reacção de espanto. Porém, a lâmina fria na pele serviu de estímulo a obedecer. Os braços presos pelas pernas dela permitiam às mãos mover-se até às calças e desapertá-las. Puxou-as para os joelhos.
— Despe tudo! — prosseguiu Magdalena.
A tremer, Manuel puxou as cuecas até às calças.
Magdalena soltou-lhe o colarinho e, com a mão livre, puxou a sua saia até à cintura. Não tinha cuecas, pois tudo aquilo fora planeado ao pormenor. A seguir, levou a mão atrás de si e encontrou o que procurava.
— É bom que fiques rijo. — avisou com sarcasmo. — Senão, corto esta merda mole.
Manuel não parava de tremer. O pânico tomara conta dele e o medo que ela lhe fizesse mal assumira o controlo, sucumbindo às ordens dela. Mesmo sem certezas, ele encarou as ameaças dela como reais, por isso, deixou que o estímulo da mão dela a massajá-lo fizesse efeito.
Ao senti-lo rijo, Magdalena reposicionou-se sobre Manuel, encaminhando-o para dentro de si. Aquela cena de controlo e submissão excitara-a tanto que se sentiu húmida e pronta a recebê-lo.
— Devias agradecer-me. — disse ela, iniciando pequenos saltos sobre a cintura dele. — Um merdas como tu a perder a virgindade com uma rapariga como eu.
As lágrimas escorreram pelo rosto dele, dilacerado pelo que ela o estava a obrigar a fazer, algo que ia contra todos os princípios morais que defendia.
— És um maricas. Que merda de gajo. A chorar? — Todas as palavras eram ditas num tom de gozo. — Mas não penses que estou aqui para te dar prazer. Só quero tirar-te a virgindade. — Sorriu com escárnio. — E essa já foi. — Olhou-o com raiva. — Ninguém me rejeita! — Apertou-lhe o pescoço e encostou a lâmina da navalha à sua face. — Quero que me faças vir. Mas, ai de ti que te venhas dentro de mim. Não quero cá dessa merda com que se fazem pequenos carapinhas. Se te vieres, corto-te os colhões.
Magdalena tinha a experiência de uma cortesã. Sabia que se prolongasse muito o momento, por muito medo que ele tivesse, não conseguiria evitar que a inundasse. Por isso, ao fim de algum tempo a mover-se sobre ele, a rapariga afastou-se.
— Não vales mesmo nada. — continuou, arranjando a saia. — Tinhas razão nos teus receios. Não tens mesmo jeito para dar prazer a uma mulher.
Manuel sentia-se humilhado, profanado e violado. A vergonha era tal que nem conseguia encará-la.
— Se contares isto a alguém, digo que me violaste. — alertou Magdalena, sempre num tom de ameaça e superioridade. — Todos pensam que eu sou virgem, por isso, quando revelar que não sou, ninguém terá dificuldade em acreditar que o culpado é um namorado que não foi capaz de respeitar a vontade da namorada em subir ao altar virgem. — Soltou uma gargalhada sonora. — Mas se isso não for suficiente para te manter calado, digo-te também que conheço algumas pessoas que te podem fazer desaparecer sem deixar rasto. Por isso, por mim, estamos quites. Mantêm-te calado e nada te acontecerá.
E com aquelas palavras, Magdalena saiu da sala esquecida ao fundo do longo corredor, deixando Manuel mergulhado na mágoa e vergonha daquilo a que ela o submetera. No entanto, apesar das ameaças, o rapaz não evitou uma enorme vontade de se vingar. Sabia que daria cabo da sua vida, mas queria poder matar aquela putazinha moldava.
No espaço onde a orquestra ensaiava, apenas alguns músicos o faziam sob a orientação de um adjunto, uma vez que o maestro Rudolph Norton Vila e o seu filho se encontravam ausentes no estrangeiro.
Nessa tarde, nem Zahra se apresentara aos ensaios.
Logo que o ensaio terminou, os músicos arrumaram os instrumentos e dispersaram. Magdalena arrumou a flauta no estojo e desceu do palco. A jovem de quinze anos mantinha sempre o seu ar ingénuo e simples de menina que pouco conhece da vida. Era vista por todos como uma jovem doce, apaixonada pela música, bonita e simpática. Todos sabiam do seu namoro com Manuel e quem lhe queria bem ficava feliz por o namorado ser um rapaz tão afável.
O que ninguém sabia é que por baixo daquela imagem imaculada estava um espírito rebelde, insaciável e disposta a tudo para atingir os objectivos. Quem pensasse que ela pouco sabia da vida, talvez não tivesse metade da sua sabedoria.
Uma dessas pessoas era o maestro Rudolph que continuava convencido que estava a abusar de uma jovem inocente que nunca lhe faria frente enquanto ele a chantageasse com o contrato.
Para a rapariga moldava, as cenas sexuais haviam sido nojentas, mas não se sentia abusada. Ao pensar nisso, ria-se sozinha por saber que tudo não passava de uma armadilha ao velho porco. E desde que lhe assinara o contrato, não a voltara a tocar, pois ela evitara-o nos primeiros tempos e esta viagem ao estrangeiro com o filho permitiram-lhe não ter de se preocupar com isso. E com a gravação na mão, jamais voltaria a satisfazê-lo, apesar de saber que ele iria tentar quando regressasse.
Ao abandonar o palco, Magdalena esperou por Manuel. O namorado pouco conversara com ela, ultimamente, e parecia furtar-se aos seus encontros. Magdalena não compreendia a atitude dele, mas não tinha dúvidas de que fora uma consequência da revelação que quebrara o imaginário casto da sua virgindade na mente dele.
— Manuel! — chamou com carinho, ao perceber que ele iria afastar-se como se não tivesse reparado nela. Ele aproximou-se quando ela lhe pediu com um gesto. — Está tudo bem?
Em frente a ela, Manuel manteve uma expressão facial neutra e respondeu:
— Sim. Tudo.
— Não temos estado juntos. Tenho saudades tuas.
— Não tem dado.
— Manuel! Não sou parva. Sei quando tentam evitar-me.
O namorado olhou-a nos olhos e não contrariou o que ela dissera.
— Que se passa?
— Sinto-me enganado. — ripostou ele com alguma mágoa na voz.
— Enganado? Em quê?
— Já não és virgem. — recordou, olhando-a zangado.
— Era suposto ser? Quando começámos a namorar, disse-te que era virgem?
— Assumi isso. Não me passou pela cabeça que uma miúda de quinze anos já tivesse tido relações sexuais.
— E então? Que tem isso de errado? Estamos no século XXI, Manuel. Há miúdas a fazer sexo mais novas que eu.
— Lamento. Mas isso para mim não dá.
— Não te imaginei tão retrógrado.
— Não se trata de ser retrógrado, é uma questão de moralidade.
Magdalena abandonou a postura doce e tornou-se mais agressiva nas respostas:
— Sim, tens razão, o problema não é seres retrógrado. O problema é que com dezanove anos nunca estiveste com uma mulher, por isso queres uma menininha casta para não correres o risco de seres comparado na cama e perceberes que não vales nada a dar prazer a uma mulher.
O rosto de Manuel franziu-se numa mistura de fúria e vergonha.
— Nem quero imaginar com quantos homens me poderias comparar.
A frase valeu-lhe o estalo na cara.
— Não sou nenhuma puta! — afirmou Magdalena enraivecida.
Os últimos dois colegas de orquestra que ainda por ali andavam testemunharam o estalo. Por instantes, ponderaram intervir, caso Manuel ripostasse a bofetada. Porém, o jovem angolano confirmou a imagem de bom caracter, pois jamais bateria numa mulher. E assim, eles acharam por bem irem embora.
— Não me interessa.
Como ele mantivera a postura após o estalo, Magdalena voltou a ser carinhosa nas palavras:
— Não precisas de te preocupar, quando fizermos amor não te irei comparar.
Manuel soltou uma gargalhada de escárnio.
— Deves estar doida, se pensas que alguma vez faremos amor. Achas que quero ter sexo contigo? Não te conheço, miúda. Não és a rapariga por quem me apaixonei e com quem namorava.
— Namoravas?
— Sim, namorava. Não quero mais nada contigo.
A fúria apossou-se dela. Não havia mágoa pelo fim do namoro, apenas raiva pela rejeição. Magdalena não suportava ser rejeitada, nem reconhecia naquele miúdo virgem capacidade para abrir mão de uma rapariga fogosa e doida por sexo como ela.
— Só te vou dizer uma coisa, Manuel. — avisou ela, fulminando o com o olhar. — Tu vais pagá-las!
E com aquelas palavras afastou-se como um touro enraivecido, desaparecendo pela porta principal, levando no espírito uma vontade incontornável de vingança.
Zahra não comparecera ao ensaio dessa tarde para receber Adriana em sua casa para mais uma tarde de prazer com a bailarina.
Sem darem pelo tempo passar, estiveram mais de duas horas na cama a fazer amor. Mesmo assim, isso pareceu não saciá-las o suficiente, uma vez que Zahra seguiu Adriana até ao duche para tomarem banho juntas por entre carícias, beijos e orgasmos.
— O José volta hoje. — informou Zahra, ao sair da casa de banho.
Adriana antecipara-se a abandonar o duche e já vestia as calças de ganga. Apertou os botões, recordando:
— É desta que lhe vais dizer?
Zahra atravessou o quarto com o roupão turco aberto sobre o corpo nu. As abas sustinham-se nos seios, mas o movimento fê-las abrir mais. Junto à amante, a violinista acariciou o rosto da bailarina e explicou:
— Prometi-te que o iria fazer, não prometi?
Adriana desviou-se para segurar na camisola que vestiu a seguir.
— Pelo teu tom, não me parece que o vás fazer já.
Zahra fechou o roupão e sentou-se ao fundo da cama.
— Vamos ter uma fase de concertos complicada.
— Não tarda, chega o dia do casamento e ainda não lhe disseste.
— Isso não vai acontecer, Adriana.
Adriana sentou-se a seu lado e calçou as botas altas.
— Confio em ti, Zahra! Confio tanto quanto te amo. Já esperei tanto tempo, posso esperar mais um pouco.
Zahra sorriu-lhe e beijou-a novamente.
— Tenho de ir. — lembrou Adriana, sentindo vontade de continuar a saborear-lhe a língua. — Senão chego atrasada ao ensaio. — Levantou-se da cama e pegou no saco que trouxera. — Se não lhe vais dizer, significa que vão ambos à estreia, certo?
Zahra assentiu.
— Vou reservar dois bilhetes para vocês. Depois, levantam-nos na bilheteira. Aviso-te já porque com o regresso do teu “ainda” noivo, talvez não tenhamos oportunidade de nos ver.
— Vai ser complicado.
Adriana encolheu os ombros.
Zahra levantou-se e despediram-se com mais um beijo.
O maestro Rudolph Norton Vila e o seu filho, o pianista José Norton Vila regressavam de avião da sua viagem ao centro da Europa, onde haviam estado em reuniões para uma digressão e a gravação de um novo disco com temas clássicos. A bordo de um avião da Lufthansa, pai e filho poucas palavras trocaram, aproveitando para deixarem os pensamentos divagar.
Rudolph não conseguia deixar de pensar em Magdalena. A imagem da rapariga provocava-lhe sempre um sorriso discreto, principalmente ao recordar os momentos em que a tivera ajoelhada a seus pés a dar-lhe prazer. Sabia que ao olhar de qualquer pessoa de carácter ele não passava de um ser humano desprezível, um homem adulto que se aproveitava da sua posição para abusar de uma miúda de quinze anos. Porém, não queria saber. A rapariga jamais contaria a alguém o que quer que fosse, prestando-se ao papel de vítima que só lhe traria dissabores e a afastaria dos rapazes que a veriam como uma pobre violentada. Tinha-a na mão, congratulava-se, seria a sua brincadeira para aliviar a tensão do trabalho. Ao recordá-la seminua, sentiu o desejo invadi-lo. Contentar-se-ia algum tempo com “orais”, mas depois… Seria delicioso ser o primeiro homem da vida dela. Sentiu-se capaz de lhe propor dinheiro em troca da virgindade que pensava que ela tinha. Porém… Antes, poderia explorá-la mais, revelar-lhe pouco entusiasmo com a sua boca e sugerir que ela teria de dar mais se queria nova renovação do contrato. A sua cabeça pensou em tudo, sabendo que ela recusaria perder a virgindade, ele explicar-lhe-ia os pormenores mais sórdidos da vida e partilharia com ela a forma como algumas raparigas na sua juventude se mantinham casta, deixando-se possuir por trás. Sim, faria isso, só avançaria com a proposta de dinheiro pela virgindade quando a tivesse “comido” por trás.
A seu lado, José pensava em… Adriana. O pianista não conseguia retirar a imagem sedutora da bailarina da sua cabeça. Levá-la para a cama tornara-se uma obsessão que teria de realizar o quanto antes, até porque a data do casamento se aproximava e não lhe passava pela cabeça ser infiel à esposa. A imagem de Adriana nem lhe despertara aquele interesse ao início, foi mais o conhecimento da sua libertinagem que o excitou. Se ela já abrira as pernas a outros sem complexos porque não poderia fazer o mesmo por ele? Claro que José estava longe de saber que tudo não passava de uma má interpretação sua. Fosse como fosse, tinha de agir rapidamente na sedução à bailarina. E se ela sucumbisse aos seus encantos, tinha de se manter calada com Zahra. Sorriu sem se aperceber, contente com a certeza que Adriana jamais partilharia isso com Zahra, correndo o risco de perder uma amizade que revelava ser tão importante para ela.
A voz do piloto do avião despertou ambos dos seus pensamentos. Em inglês com sotaque germânico, a voz informou que se estavam a aproximar do Aeroporto de Lisboa.
Dois dias antes da estreia da nova peça de bailado do Teatro Camões, Matilde telefonou a Leonardo à noite. Tivera uma semana terrível nas suas novas funções e nem tivera tempo para lhe ligar. Porém, apesar de ser muito tarde, não quis deixar passar aquela noite sem telefonar ao amigo para confirmar que o acompanharia ao espectáculo.
A tarde que antecedeu a estreia teve um ensaio da orquestra atípico. Nervosa com a estreia da amante e por novo reencontro entre ela e o seu noivo, Zahra falhou vários trechos.
— Que se passa? — indagou Rudolph à quarta falha.
— Hoje não estou nos meus dias. — justificou-se Zahra. — Peço desculpa a todos!
José abandonou o seu lugar ao piano e aproximou-se da noiva.
— Então?
— Não é nada. — disse ela, forçando um sorriso. — Há dias em que nada nos sai bem.
— Isso é verdade. — concordou o pianista.
Rudolph, de olhos em Magdalena, sentiu-se tentado em terminar o ensaio para aproveitar o tempo para chamar a jovem ao seu gabinete. Desde que regressara, ainda não tivera oportunidade de a chamar. E também seria difícil fazê-lo naquela tarde, tal estava preenchida a sua agenda.
— Vamos ensaiar as peças que não têm solos de violino? — sugeriu José ao pai, de forma a poupar a Zahra.
Rudolph concordou.
No fim do ensaio, os músicos abandonaram o espaço como sempre faziam. O maestro até foi dos primeiros, pois tinha uma reunião importante com um possível patrocinador.
José e Zahra saíram na companhia um do outro para irem a casa preparar-se para o importante evento dessa noite.
Ainda deviam estar uns dez músicos por ali, quando Magdalena se aproximou de Manuel.
— Podemos falar? — perguntou ela num tom doce e baixo.
— Não temos nada a conversar. — respondeu ele num tom normal.
Ninguém deu atenção à conversa deles e, aos poucos, todos se foram embora.
— Desculpa a minha atitude no outro dia. — continuou ela. — Tens todo o direito em não querer nada comigo. — Ele anuiu, grato por ela lhe dar razão. Ela repetiu. — Preciso de falar contigo. Estou com um problema.
Sem pensar, Manuel interrogou preocupado:
— Que se passa?
— Não quero falar aqui. — disse Magdalena, olhando em redor. — Podes vir comigo? Falamos noutro sítio.
— Se isto é algum esquema…
— Não sejas parvo. — indignou-se. — Não vamos a lado nenhum. Só não quero falar aqui no meio. Vem comigo até aos bastidores, onde posso ter a certeza que ninguém nos ouve.
Manuel concordou.
Magdalena seguiu à frente, indicando-lhe que a seguisse.
O jovem angolano observou-a, caminhando atrás dela. Não conseguia deixar de se sentir atraído por ela, ainda mais naquele instante em que ela surgira naquela tarde com uma saia fresca e uma camisola de malha justa. No entanto, não queria ter nada com ela, sabendo que já outros homens se haviam deitado consigo. Para si, a sua futura mulher deveria ser casta e ambos perderiam a virgindade na noite do casamento.
Manuel seguiu Magdalena pelos corredores até uma sala bem ao fundo da zona de bastidores. Já não havia ninguém por ali, daí que lhe parecesse absurdo tanto secretismo para o que lhe queria dizer.
A rapariga moldava abriu uma porta e, oferecendo-lhe um semblante sorridente e carinhoso, convidou-o a entrar.
Abanando a cabeça com o ridículo da situação, Manuel entrou numa sala sem janelas iluminada por uma luz no tecto. Entrou e esperou.
Magdalena fechou a porta. A seguir, meteu a mão no bolso da saia e retirou uma navalha com uma lâmina bem afiada. Quando ele se virou para ela, a rapariga agarrou-lhe o colarinho e encostou-lhe a lâmina ao pescoço.
— Que está a fazer? — interrogou Manuel, assustado com a navalha.
— Cala-te! — ordenou ela, alterando totalmente o tom de voz e o semblante singelo e inocente. — Só falas quando eu mandar.
— Cuidado com…
— Cala-te, preto! — voltou a ordenar, pressionando a lâmina. — Pensavas que me rejeitavas e ficava tudo bem? Comigo não.
— Não faças nenhum disparate. — pediu Manuel, completamente assustado.
— Deita-te no chão!
Sem lhe largar o colarinho nem afastar a lâmina, Magdalena acompanhou o corpo dele a descer ao chão. Quando ele se deitou, ela sentou-se na barriga dele para que os braços ficassem presos pelas suas pernas.
— Achas-te muito puro para te envolveres comigo, não é? — O tom enraivecido dela era cortante. — Quem pensas que és para me chamares puta?
— Não te quis ofender. — balbuciou ele. — Nem nunca te chamei p… pu… puta.
Magdalena encostou a navalha ao pescoço dele e fê-la deslizar como se fosse cortar, mas apenas deixou um vinco.
— Se te armares em esperto, corto-te e deixo-te a esvair em sangue. — ameaçou ela. — E não penses que não sou capaz de o fazer. Não fazes ideia do que sou capaz. — Ele anuiu em pânico. — Despe as calças!
A ordem provocou-lhe uma reacção de espanto. Porém, a lâmina fria na pele serviu de estímulo a obedecer. Os braços presos pelas pernas dela permitiam às mãos mover-se até às calças e desapertá-las. Puxou-as para os joelhos.
— Despe tudo! — prosseguiu Magdalena.
A tremer, Manuel puxou as cuecas até às calças.
Magdalena soltou-lhe o colarinho e, com a mão livre, puxou a sua saia até à cintura. Não tinha cuecas, pois tudo aquilo fora planeado ao pormenor. A seguir, levou a mão atrás de si e encontrou o que procurava.
— É bom que fiques rijo. — avisou com sarcasmo. — Senão, corto esta merda mole.
Manuel não parava de tremer. O pânico tomara conta dele e o medo que ela lhe fizesse mal assumira o controlo, sucumbindo às ordens dela. Mesmo sem certezas, ele encarou as ameaças dela como reais, por isso, deixou que o estímulo da mão dela a massajá-lo fizesse efeito.
Ao senti-lo rijo, Magdalena reposicionou-se sobre Manuel, encaminhando-o para dentro de si. Aquela cena de controlo e submissão excitara-a tanto que se sentiu húmida e pronta a recebê-lo.
— Devias agradecer-me. — disse ela, iniciando pequenos saltos sobre a cintura dele. — Um merdas como tu a perder a virgindade com uma rapariga como eu.
As lágrimas escorreram pelo rosto dele, dilacerado pelo que ela o estava a obrigar a fazer, algo que ia contra todos os princípios morais que defendia.
— És um maricas. Que merda de gajo. A chorar? — Todas as palavras eram ditas num tom de gozo. — Mas não penses que estou aqui para te dar prazer. Só quero tirar-te a virgindade. — Sorriu com escárnio. — E essa já foi. — Olhou-o com raiva. — Ninguém me rejeita! — Apertou-lhe o pescoço e encostou a lâmina da navalha à sua face. — Quero que me faças vir. Mas, ai de ti que te venhas dentro de mim. Não quero cá dessa merda com que se fazem pequenos carapinhas. Se te vieres, corto-te os colhões.
Magdalena tinha a experiência de uma cortesã. Sabia que se prolongasse muito o momento, por muito medo que ele tivesse, não conseguiria evitar que a inundasse. Por isso, ao fim de algum tempo a mover-se sobre ele, a rapariga afastou-se.
— Não vales mesmo nada. — continuou, arranjando a saia. — Tinhas razão nos teus receios. Não tens mesmo jeito para dar prazer a uma mulher.
Manuel sentia-se humilhado, profanado e violado. A vergonha era tal que nem conseguia encará-la.
— Se contares isto a alguém, digo que me violaste. — alertou Magdalena, sempre num tom de ameaça e superioridade. — Todos pensam que eu sou virgem, por isso, quando revelar que não sou, ninguém terá dificuldade em acreditar que o culpado é um namorado que não foi capaz de respeitar a vontade da namorada em subir ao altar virgem. — Soltou uma gargalhada sonora. — Mas se isso não for suficiente para te manter calado, digo-te também que conheço algumas pessoas que te podem fazer desaparecer sem deixar rasto. Por isso, por mim, estamos quites. Mantêm-te calado e nada te acontecerá.
E com aquelas palavras, Magdalena saiu da sala esquecida ao fundo do longo corredor, deixando Manuel mergulhado na mágoa e vergonha daquilo a que ela o submetera. No entanto, apesar das ameaças, o rapaz não evitou uma enorme vontade de se vingar. Sabia que daria cabo da sua vida, mas queria poder matar aquela putazinha moldava.