Capítulo XLI
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O Sol parecia começar a vencer a luta com as nuvens, quando Cassandra e Xavier saíram do restaurante de barriga bem cheia. O cozido das Furnas fora delicioso, mas demasiado para ambos.
A paragem seguinte seria o parque Terra Nostra, onde Cassandra planeara um banho no tanque de água termal, um local quase obrigatório a quem visita aquele local. No entanto, o almoço pesado implicaria aguardar algum tempo até que o pudessem concretizar.
Cassandra e Xavier passearam pela vila, conhecendo as ruas estreitas e rumando ao parque. A entrada para os jardins era feita pela lateral do Terra Nostra Garden Hotel, acedendo a uma zona arborizada e a caminhos bem ajardinados. O troço avançava permitindo aos visitantes ver algumas instalações do hotel e desembocava num outro caminho que seguia directamente para o tanque.
Xavier nunca tinha visto nada assim. O tanque de água termal era uma enorme piscina de água, com uma pequena ilha no meio, que ele calculou ter uma área de 60 por 40 metros. A profundidade máxima era de metro e meio e a água tinha uma tonalidade verde acastanhada, ocultando tudo o que estivesse abaixo da superfície. Essa mesma água jorrava de algumas fontes à volta do tanque, água rica em minerais que corria a uma temperatura entre os 35 e os 40 graus celsius.
O tanque ficava defronte de um palacete que se elevava no monte adjacente e que se ligava a ele por uma larga escadaria. Algumas pessoas já aproveitavam para se banhar, enquanto outras passeavam ou limitavam-se a sentar-se nas escadas ou nos bancos. Havia também quem estivesse deitado ao Sol na relva.
Cassandra e Xavier avançaram pela propriedade, seguindo pelo trilho arborizado com enormes árvores plantadas no tempo de Thomas Hickling, em finais do século XVIII. Num ou noutro canto, pequenos lagos e ribeiros por onde a água corria, ora com mais intensidade, ora com menos. Mais à frente, as árvores afastavam-se para espaços abertos, onde se viam canteiros com vegetação identificada para que o visitante pudesse perceber a origem de cada planta.
Avançando no trajecto, descobriram espaços floridos, conjuntos de flores de todas as cores, espaços arquitectados no século XIX pelos donos seguintes, os Viscondes da Praia, muito por causa do gosto da Viscondessa pela jardinagem.
Cassandra estava encantada com a diversidade de flores, cores e mais cores, formas tradicionais entre outras pouco vistas, cedros bem cortados a ladear os espaços… Havia muito empenho ali de quem cuidava.
Num dos espaços, Cassandra pousou a pequena mochila que carregava às costas e sentou-se num banco de madeira. Fotografou as flores e fotografou Xavier, pedindo-lhe depois que a fotografasse a ela no meio daquele colorido.
Prosseguiram o passeio e reentraram no trilho das árvores seculares, troncos grossos enormes, seguindo pelo caminho que descaia para as laterais propositadamente como forma de escoar a água das chuvas.
Noutro canto, encontraram um monumento em forma de obelisco, uma escultura de pedra datada do final do século XIX em memória do Visconde e da Viscondessa da Praia, mandado erigir pelo filho.
Cassandra olhava para o memorial com um ar compenetrado.
— Estás bem? — questionou Xavier.
— Sim. Estava a olhar para isto e a pensar que deveriam ser um casal feliz. — supôs Cassandra. — Quando se presta uma homenagem a um casal é porque a sua obra foi feita em conjunto. E só consegues construir algo de sucesso com alguém se houver muita empatia. E no caso deles, acredito que houvesse muito amor.
Em frente ao monumento, o caminho prosseguia numa comprida recta descendente, sempre ladeada de árvores e bancos de jardim. Eles continuaram o seu passeio, agradados com a sombra que os protegia dos raios solares mais intensos.
O ponto de paragem seguinte foi um pequeno lago, junto aos limites do parque. Era um lago de curvas desenhadas propositadamente e com uma ilha no meio com arbustos e pedras. Na água viam-se peixes vermelhos e prateados.
Perto do lago, uma zona de esculturas em pedra com as formas dos mais diversos animais revestidos pelas folhas que cresciam ao seu redor. Era possível ver pelicanos, cisnes, macacos, cangurus, flamingos, crocodilos, elefantes, girafas, entre outros. Cassandra fotografou quase todos e Xavier ainda pousou ao lado de um gorila.
Ao aproximarem-se de uma área menos arborizada, um novo lago surgia defronte deles. O manto de água tinha nenúfares e pedras planas que possibilitavam que se caminhasse sobre elas. Numa das extremidades, existia um túnel pequeno com duas entradas e de aspecto sinistro.
— Vamos ver lá dentro? — sugeriu Cassandra, instigada pelo mistério da escuridão interior.
Xavier concordou e eles atravessaram o ribeiro por uma ponte estreita, de forma a alcançar um trilho que lhes permitia entrar no túnel.
Não havia nada de sinistro no interior, apenas menos luz e um caminho de pedra que contornava a água. Aquele espaço recordou a Cassandra as construções de pedra que vira num dos jardins de Ponta Delgada, no dia em que chegara a São Miguel.
Novamente cá fora, regressaram pelo trilho e prosseguiram junto ao lago. Em todo aquele passeio já quase tinham contornado toda a propriedade e seguiam agora um rumo que os levaria até ao tanque de água termal.
Cassandra e Xavier escolheram a base de um grande carvalho para pousar as suas coisas. Ela estava entusiasmada para entrar na água, enquanto ele não sentia o mesmo, pois nunca apreciara entrar em sítios onde não visse o fundo. Enquanto descalçava as sapatilhas, Xavier viu Cassandra despir a camisola de alças, revelando a parte superior do biquíni. Tentou mostrar-se indiferente, virando-se e despindo a sua t-shirt. Quando voltou a olhar para ela, Cassandra estava descalça e abria o fecho dos corsários, deixando-os cair nos pés.
Cassandra olhou-o com um sorriso.
— Vamos? Estou doidinha por experimentar a água.
Por momentos, Xavier não conseguiu verbalizar nada. Estava aparvalhado a olhar para ela, para um corpo curvilíneo que parecia ter sido desenhado pela mão de um artista. O biquíni não era muito curto, mas não deixava dúvidas da generosidade do peito, bem como as formas das ancas. Tinha tudo na medida certa e no lugar certo. Deu por si a pensar se ela não seria uma deusa que descera à terra para brincar com ele.
Sem esperar resposta, Cassandra avançou para as escadas mais perto e desceu lentamente, entrando na água morna. Ficou com a água quase pelos ombros e avançou tranquila.
Na margem, Xavier hesitava em entrar. Imaginava se o solo não seria pedregoso ou escorregadio.
— Anda! — instigou Cassandra.
Xavier desceu as escadas ainda mais lentamente que ela e entrou como se receasse pisar uma mina. Com os pés bem assentes no chão, olhou para ela e sorriu com a água abaixo do peito.
A piscina tinha mais pessoas que na altura em que eles tinham chegado ao parque. Mesmo assim, havia muito espaço livre.
Sem que ele percebesse, Cassandra observara-o enquanto ele se preparava para entrar na água. Analisou-lhe o corpo agradada, tentando refrear o desejo. Repetia a si mesma que havia fantasias que não deveriam passar disso mesmo. No entanto, também ela tinha dificuldade em ficar indiferente.
Cassandra aproximou-se. Por instantes, Xavier receou que ela viesse abraçá-lo. Seria embaraçoso, já que teria dificuldade em que uma parte do seu corpo não se manifestasse. Porém, ela parou a cerca de um metro e ele concluiu que fora um receio parvo, pois não havia razão para que ela o fosse fazer.
— Estás a gostar, Xavier?
— Sim. Isto é muito agradável. — respondeu, mantendo-se encostado à margem.
— Não queres vir mais para o meio?
— Estou bem aqui.
Ela ofereceu-lhe um sorriso terno e indagou:
— Que se passa?
— Faz-me confusão não ver o fundo. — confessou envergonhado.
Cassandra estendeu-lhe a mão.
— Anda. Vem comigo. — convidou. — Tu fazes-me sentir segura. Gostava que sentisses o mesmo em relação a mim.
Xavier segurou-lhe a mão e deixou que ela o conduzisse para longe da margem.
Não deveria estar a mais de cinco metros da margem. Cassandra parou e virou-se de frente para ele, mantendo-lhe a mão na sua.
— Estás a ver, Xavier, o chão é liso e não há nada cá em baixo. — Sorriu num tom brincalhão e piscou-lhe o olho. — Só os nossos pés.
Nesse momento, os olhos de ambos encontraram-se com uma intensidade fora do normal. Viram-se reflectidos um no outro e toda a realidade que os envolvia pareceu desaparecer.
Cassandra desejou ardentemente que ele a beijasse. Assim ele quisesse e ela seria sua, poderia beijá-la, tocá-la, amá-la… Entregar-lhe-ia o seu corpo com prazer para que lhe apagasse o fogo do desejo que a consumia cada vez mais.
Xavier sentiu um impulso avassalador para se baixar e encostar a sua boca na dela. Desejava-a cada vez mais. Porém, sabia que isso era errado. Ela era uma mulher fragilizada pelo final de uma relação que lhe criara expectativas demasiado altas. Ele era um amigo passageiro em rota para o outro lado do mundo. Ela não merecia que se aproveitassem disso, não merecia um momento de sexo ocasional, merecia alguém que a fizesse feliz para o resto da vida.
Sendo assim, Xavier desviou o olhar e o encanto quebrou-se.
Cassandra percebeu a recusa e largou-lhe a mão. Evitou revelar a sua decepção e virou-se para a margem. A seguir, forçou um ar de naturalidade e disse:
— Deixa-te ficar aí. Vou buscar a máquina para tirarmos uma foto.
Xavier observou-a em silêncio. Recriminava-se por não ter aproveitado o momento. A culpa acentuou-se mais quando a viu sair da água com toda a beleza daquele corpo molhado a afastar-se. Continuou a repetir o quanto seria errado deixar-se cair naquela tentação.
Cassandra trouxe a máquina e entrou na água. Colocou a câmara na margem e afinou o ângulo para a zona onde Xavier estava. Por fim, definiu o temporizador e regressou para junto dele.
Enquanto ela se aproximava, Xavier manteve a atenção na lente e na luz do temporizador a piscar. Cassandra parou a seu lado, mas evitou encostar-se a ele. Ouviu-se um estalido e a máquina registou a foto de dois bons amigos a tomar banho no tanque de água termal do parque Terra Nostra.
A paragem seguinte seria o parque Terra Nostra, onde Cassandra planeara um banho no tanque de água termal, um local quase obrigatório a quem visita aquele local. No entanto, o almoço pesado implicaria aguardar algum tempo até que o pudessem concretizar.
Cassandra e Xavier passearam pela vila, conhecendo as ruas estreitas e rumando ao parque. A entrada para os jardins era feita pela lateral do Terra Nostra Garden Hotel, acedendo a uma zona arborizada e a caminhos bem ajardinados. O troço avançava permitindo aos visitantes ver algumas instalações do hotel e desembocava num outro caminho que seguia directamente para o tanque.
Xavier nunca tinha visto nada assim. O tanque de água termal era uma enorme piscina de água, com uma pequena ilha no meio, que ele calculou ter uma área de 60 por 40 metros. A profundidade máxima era de metro e meio e a água tinha uma tonalidade verde acastanhada, ocultando tudo o que estivesse abaixo da superfície. Essa mesma água jorrava de algumas fontes à volta do tanque, água rica em minerais que corria a uma temperatura entre os 35 e os 40 graus celsius.
O tanque ficava defronte de um palacete que se elevava no monte adjacente e que se ligava a ele por uma larga escadaria. Algumas pessoas já aproveitavam para se banhar, enquanto outras passeavam ou limitavam-se a sentar-se nas escadas ou nos bancos. Havia também quem estivesse deitado ao Sol na relva.
Cassandra e Xavier avançaram pela propriedade, seguindo pelo trilho arborizado com enormes árvores plantadas no tempo de Thomas Hickling, em finais do século XVIII. Num ou noutro canto, pequenos lagos e ribeiros por onde a água corria, ora com mais intensidade, ora com menos. Mais à frente, as árvores afastavam-se para espaços abertos, onde se viam canteiros com vegetação identificada para que o visitante pudesse perceber a origem de cada planta.
Avançando no trajecto, descobriram espaços floridos, conjuntos de flores de todas as cores, espaços arquitectados no século XIX pelos donos seguintes, os Viscondes da Praia, muito por causa do gosto da Viscondessa pela jardinagem.
Cassandra estava encantada com a diversidade de flores, cores e mais cores, formas tradicionais entre outras pouco vistas, cedros bem cortados a ladear os espaços… Havia muito empenho ali de quem cuidava.
Num dos espaços, Cassandra pousou a pequena mochila que carregava às costas e sentou-se num banco de madeira. Fotografou as flores e fotografou Xavier, pedindo-lhe depois que a fotografasse a ela no meio daquele colorido.
Prosseguiram o passeio e reentraram no trilho das árvores seculares, troncos grossos enormes, seguindo pelo caminho que descaia para as laterais propositadamente como forma de escoar a água das chuvas.
Noutro canto, encontraram um monumento em forma de obelisco, uma escultura de pedra datada do final do século XIX em memória do Visconde e da Viscondessa da Praia, mandado erigir pelo filho.
Cassandra olhava para o memorial com um ar compenetrado.
— Estás bem? — questionou Xavier.
— Sim. Estava a olhar para isto e a pensar que deveriam ser um casal feliz. — supôs Cassandra. — Quando se presta uma homenagem a um casal é porque a sua obra foi feita em conjunto. E só consegues construir algo de sucesso com alguém se houver muita empatia. E no caso deles, acredito que houvesse muito amor.
Em frente ao monumento, o caminho prosseguia numa comprida recta descendente, sempre ladeada de árvores e bancos de jardim. Eles continuaram o seu passeio, agradados com a sombra que os protegia dos raios solares mais intensos.
O ponto de paragem seguinte foi um pequeno lago, junto aos limites do parque. Era um lago de curvas desenhadas propositadamente e com uma ilha no meio com arbustos e pedras. Na água viam-se peixes vermelhos e prateados.
Perto do lago, uma zona de esculturas em pedra com as formas dos mais diversos animais revestidos pelas folhas que cresciam ao seu redor. Era possível ver pelicanos, cisnes, macacos, cangurus, flamingos, crocodilos, elefantes, girafas, entre outros. Cassandra fotografou quase todos e Xavier ainda pousou ao lado de um gorila.
Ao aproximarem-se de uma área menos arborizada, um novo lago surgia defronte deles. O manto de água tinha nenúfares e pedras planas que possibilitavam que se caminhasse sobre elas. Numa das extremidades, existia um túnel pequeno com duas entradas e de aspecto sinistro.
— Vamos ver lá dentro? — sugeriu Cassandra, instigada pelo mistério da escuridão interior.
Xavier concordou e eles atravessaram o ribeiro por uma ponte estreita, de forma a alcançar um trilho que lhes permitia entrar no túnel.
Não havia nada de sinistro no interior, apenas menos luz e um caminho de pedra que contornava a água. Aquele espaço recordou a Cassandra as construções de pedra que vira num dos jardins de Ponta Delgada, no dia em que chegara a São Miguel.
Novamente cá fora, regressaram pelo trilho e prosseguiram junto ao lago. Em todo aquele passeio já quase tinham contornado toda a propriedade e seguiam agora um rumo que os levaria até ao tanque de água termal.
Cassandra e Xavier escolheram a base de um grande carvalho para pousar as suas coisas. Ela estava entusiasmada para entrar na água, enquanto ele não sentia o mesmo, pois nunca apreciara entrar em sítios onde não visse o fundo. Enquanto descalçava as sapatilhas, Xavier viu Cassandra despir a camisola de alças, revelando a parte superior do biquíni. Tentou mostrar-se indiferente, virando-se e despindo a sua t-shirt. Quando voltou a olhar para ela, Cassandra estava descalça e abria o fecho dos corsários, deixando-os cair nos pés.
Cassandra olhou-o com um sorriso.
— Vamos? Estou doidinha por experimentar a água.
Por momentos, Xavier não conseguiu verbalizar nada. Estava aparvalhado a olhar para ela, para um corpo curvilíneo que parecia ter sido desenhado pela mão de um artista. O biquíni não era muito curto, mas não deixava dúvidas da generosidade do peito, bem como as formas das ancas. Tinha tudo na medida certa e no lugar certo. Deu por si a pensar se ela não seria uma deusa que descera à terra para brincar com ele.
Sem esperar resposta, Cassandra avançou para as escadas mais perto e desceu lentamente, entrando na água morna. Ficou com a água quase pelos ombros e avançou tranquila.
Na margem, Xavier hesitava em entrar. Imaginava se o solo não seria pedregoso ou escorregadio.
— Anda! — instigou Cassandra.
Xavier desceu as escadas ainda mais lentamente que ela e entrou como se receasse pisar uma mina. Com os pés bem assentes no chão, olhou para ela e sorriu com a água abaixo do peito.
A piscina tinha mais pessoas que na altura em que eles tinham chegado ao parque. Mesmo assim, havia muito espaço livre.
Sem que ele percebesse, Cassandra observara-o enquanto ele se preparava para entrar na água. Analisou-lhe o corpo agradada, tentando refrear o desejo. Repetia a si mesma que havia fantasias que não deveriam passar disso mesmo. No entanto, também ela tinha dificuldade em ficar indiferente.
Cassandra aproximou-se. Por instantes, Xavier receou que ela viesse abraçá-lo. Seria embaraçoso, já que teria dificuldade em que uma parte do seu corpo não se manifestasse. Porém, ela parou a cerca de um metro e ele concluiu que fora um receio parvo, pois não havia razão para que ela o fosse fazer.
— Estás a gostar, Xavier?
— Sim. Isto é muito agradável. — respondeu, mantendo-se encostado à margem.
— Não queres vir mais para o meio?
— Estou bem aqui.
Ela ofereceu-lhe um sorriso terno e indagou:
— Que se passa?
— Faz-me confusão não ver o fundo. — confessou envergonhado.
Cassandra estendeu-lhe a mão.
— Anda. Vem comigo. — convidou. — Tu fazes-me sentir segura. Gostava que sentisses o mesmo em relação a mim.
Xavier segurou-lhe a mão e deixou que ela o conduzisse para longe da margem.
Não deveria estar a mais de cinco metros da margem. Cassandra parou e virou-se de frente para ele, mantendo-lhe a mão na sua.
— Estás a ver, Xavier, o chão é liso e não há nada cá em baixo. — Sorriu num tom brincalhão e piscou-lhe o olho. — Só os nossos pés.
Nesse momento, os olhos de ambos encontraram-se com uma intensidade fora do normal. Viram-se reflectidos um no outro e toda a realidade que os envolvia pareceu desaparecer.
Cassandra desejou ardentemente que ele a beijasse. Assim ele quisesse e ela seria sua, poderia beijá-la, tocá-la, amá-la… Entregar-lhe-ia o seu corpo com prazer para que lhe apagasse o fogo do desejo que a consumia cada vez mais.
Xavier sentiu um impulso avassalador para se baixar e encostar a sua boca na dela. Desejava-a cada vez mais. Porém, sabia que isso era errado. Ela era uma mulher fragilizada pelo final de uma relação que lhe criara expectativas demasiado altas. Ele era um amigo passageiro em rota para o outro lado do mundo. Ela não merecia que se aproveitassem disso, não merecia um momento de sexo ocasional, merecia alguém que a fizesse feliz para o resto da vida.
Sendo assim, Xavier desviou o olhar e o encanto quebrou-se.
Cassandra percebeu a recusa e largou-lhe a mão. Evitou revelar a sua decepção e virou-se para a margem. A seguir, forçou um ar de naturalidade e disse:
— Deixa-te ficar aí. Vou buscar a máquina para tirarmos uma foto.
Xavier observou-a em silêncio. Recriminava-se por não ter aproveitado o momento. A culpa acentuou-se mais quando a viu sair da água com toda a beleza daquele corpo molhado a afastar-se. Continuou a repetir o quanto seria errado deixar-se cair naquela tentação.
Cassandra trouxe a máquina e entrou na água. Colocou a câmara na margem e afinou o ângulo para a zona onde Xavier estava. Por fim, definiu o temporizador e regressou para junto dele.
Enquanto ela se aproximava, Xavier manteve a atenção na lente e na luz do temporizador a piscar. Cassandra parou a seu lado, mas evitou encostar-se a ele. Ouviu-se um estalido e a máquina registou a foto de dois bons amigos a tomar banho no tanque de água termal do parque Terra Nostra.